Gestos e atitudes dos Acólitos/Ancilas na Liturgia da Santa Missa

A religião assume o homem todo, como ele é: corpo e alma. A Graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa. Por isso, rezamos com o corpo também, dizendo palavras e fazendo gestos. A Missa, pois, é o louvor visível, através de gestos e atitudes do povo de Deus.

E os Acólitos/Ancilas participam ainda mais ativamente deste louvor, pois servem o próprio Cristo através do seu corpo, no altar da Eucaristia.

Vejamos, então, o significado dos gestos e atitudes assumidos na Santa Missa.

SINAL DA CRUZ

Quando os nossos pais nos levaram à igreja da nossa paróquia para sermos batizados, o sacerdote, e depois os nossos pais e padrinhos, fizeram-nos o sinal da cruz na fronte. Porquê? Porque o sinal da cruz é o mais importante de todos os sinais cristãos. Ele recorda o mistério pascal de Cristo, que tem no centro a cruz onde Ele deu a Sua vida por nós.

Não admira, por isso, que todas as celebrações litúrgicas comecem pelo sinal da cruz e pelas palavras: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A seguir, ao longo das celebrações, o presidente faz, por vezes, o sinal da cruz sobre as pessoas e os objetos. E, por fim, todas as celebrações terminam também pelo sinal da cruz, em forma de bênção. Diz o sacerdote: Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho, e Espírito Santo. E enquanto ele diz estas palavras, traça, com a mão direita, uma cruz sobre toda a assembleia, e cada um dos fiéis faz sobre si próprio o sinal da cruz.

Não é só na liturgia que isto acontece. Ao deitar-se e ao levantar-se o cristão faz o sinal da cruz. Como o faz? Colocando a mão esquerda, se está livre, sobre o peito, traça sobre si mesmo uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Quando se pode dispor de água benta, começamos por molhar a ponta dos dedos da mão direita na água, e depois benzemo-nos. A água benta recorda-nos a graça do santo batismo.

Nos jogos de futebol transmitidos pela televisão, com frequência vemos os jogadores, ao entrarem no campo, fazerem o sinal da cruz, mas muito mal feito. E não são só eles. Há cristãos que até na igreja fazem o mesmo. Não se pode chamar àquilo um sinal da cruz. Quando muito, será a sua caricatura. Quando te benzeres, não faças de forma desleixada, ou apressada. O Senhor que por você morreu na cruz merece mais do que isso. Benze-te sempre devagar e com muita dignidade, pensando em Jesus, teu Salvador e Mestre.

CAMINHAR

Na liturgia, para fazer a maior parte das acções, caminha-se. Assim acontece na procissão de entrada, quando o leitor vai ler ao ambão, quando o Acólito/Ancila se levanta para levar os dons ao altar, durante a procissão da Comunhão, ao sair da igreja, depois da despedida. Em todos esses momentos, e ainda noutros, se caminha na liturgia.

Mas, não é fácil caminhar bem e com dignidade durante a missa. Muitos fazem-no de maneira desagradável e distraída; outros com demasiada pressa ou devagar demais.

O Acólito/Ancila deve ser ensinado a caminhar bem. Eu diria até que a primeira coisa que ele deve aprender é a caminhar na presença de Deus e em direção a Deus. Quando caminha na procissão de entrada, quando vai buscar o missal e o leva ao presidente, quando acompanha a procissão do Evangelho, quando caminha para levar os dons ao altar, quando caminha ao lado do sacerdote, deve fazê-lo de forma segura e atenciosa, e sempre com muio respeito e dignidade. Pois o Acólito/Ancila é aquele que acompanha, e, para isso, deve-se acompanhar bem, servindo.

SETADOS

É uma posição cômoda, que favorece à catequese, boa para ouvir as leituras, a homilia e meditar. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair.

DE PÉ

É uma posição de quem ouve com atenção e respeito, tendo muita consideração pela pessoa que fala. Indica prontidão e disposição para obedecer.

Foi, desde o início da Igreja, a posição do “orante”. A Bíblia diz: “Quando vos puserdes em pé para orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também o Vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11, 25). Falando dos bem-aventurados, João vê uma multidão, de vestes brancas, “de pé, diante do Cordeiro”, que é Jesus (Ap 7, 9).

Na Missa ficamos de pé nos Ritos Iniciais, na Aclamação ao Evangelho e durante sua proclamação, na Profissão de Fé (Credo), durante a Oração Eucarística e na Bênção Final.

DE JOELHOS

De início, o cristão ajoelhava-se somente nas orações particulares. Depois, toda a comunidade passou a ajoelhar-se em tempo de penitência.

Essa posição deve ser feita diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e do vinho.

Ajoelhar-se perante alguém era sinal de homenagem a um soberano. Hoje significa adoração a Deus. São Paulo diz: “Ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho, no céu, na terra e debaixo da terra” (Fl 2,10). Rezar de joelhos é mais comum nas orações individuais. “Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se de joelhos para orar” (Cf. At 9,40).

GENUFLEXÃO

A genuflexão consiste em dobrar o joelho direito até ao solo, por respeito, e a voltar a erguer-se em seguida. O corpo deve manter-se direito. O Acólito/Ancila deve genufletir sempre que passe diante do Santíssimo Sacramento, a não ser que vá em procissão ou leve nas mãos algum objeto. É o que acontece quando leva o turíbulo, a cruz ou as velas na procissão de entrada ou na procissão do Evangeliário.

É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na Capela do Santíssimo e dela saímos, ou uma igreja, se ali existe o sacrário com as Hóstias Consagradas. Também fazemos genuflexão diante do crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração (Neste sentido acesse o nosso post “Pode-se adorar a Santa Cruz?”).

INCLINAÇÃO (VÊNIA)

Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito. É sinal também de veneração, diante do Santíssimo Sacramento (principalmente quando o Acólito/Ancila segura algum objeto), e de respeito diante do altar. Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção solene, logo após o convite do diácono ou do sacerdote.

PROCISSÃO

Na Missa podemos fazer diversas procissões, se forem convenientes: na Entrada do Presidente (Sacerdote), no Evangelho, no Ofertório, na Comunhão. A História da Salvação começou com uma “procissão”: Abraão e sua família a caminho da Terra Prometida. As nossas procissões simbolizam a peregrinação do Povo de Deus para a casa do Pai. Somos uma igreja “peregrina”.

MÃOS LEVANTADAS

É atitude dos “orantes”. Significa súplica e entrega a Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: “Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem contentas” (1Tm 2, 8).

MÃOS JUNTAS OU POSTAS

Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de profunda piedade. Esta é a posição dos Acólitos/Ancilas durante a celebração eucarística.

SILÊNCIO

O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. “O Senhor fala no silêncio do coração”. É oportuno fazer silêncio depois das Leituras, da Homilia, da comunhão, para interiorizar o que o Senhor disse. Meditar também é uma forma de participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momento de silêncio seria como “chuva forte e rápida que não penetra na terra”.

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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