Homilia – XIV Domingo do Tempo Comum – Ano B

cristo

Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XIV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Ez 2, 2-5

Sl 122

2 Cor 12, 7-10

Mc 6, 1-6

O Evangelho deste Domingo apresenta-nos Jesus na sua Nazaré. Ali mesmo, na sua própria cidade, onde nascera e fora criado, os seus o rejeitam: “’Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?’ E ficaram escandalizados por causa dele”. Assim, cumpre-se mais uma vez a Escritura: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1, 11). E a falta de fé foi tão grande, a dureza de coração, tão intensa, a teimosia, tão pertinaz, que São Marcos afirma, de modo surpreendente: “Ali não pôde fazer milagre algum!”, tão grande era a falta de fé daquele povo.

Meus caros, pensemos bem na advertência que esta Palavra de Deus nos faz! O próprio Filho do Pai, em pessoa, esteve no meio do seu povo, conviveu com ele, falou-lhe, sorriu-lhe, abraçou-lhe e, no entanto, não foi reconhecido pelos seus. E por quê? Pela dureza de coração, pela insistência teimosa em esperar um messias de encomenda, sob medida, a seu bel prazer… Valia bem para Israel a censura da primeira leitura de hoje, na qual o Senhor Deus se dirige a seu servo: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim fala o Senhor Deus’. Quer escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta!” Que coisa tremenda, meus caros: houve entre os israelitas um profeta, e mais que um profeta: o Filho de Deus, o Eterno, o Filho amado… E Israel o rejeitou!

Mas, deixemos Israel. E nós? Acolhemos o Senhor que nos vem? Escutamos com fé sua Palavra, quando ele se dirige a nós na Escritura, aquecendo nosso coração? Acolhemo-lo na obediência da fé, quando ele se nos dirige pela boca da sua Igreja católica, ensinando-nos o caminho da vida? Acolhemo-lo, quando nos fala pela boca de seus profetas? Não tenhamos tanta certeza de que somos melhores que aqueles de Nazaré! Aliás, é bom que nos perguntemos: por que os nazarenos não foram capazes de reconhecer Jesus como Messias? Já lhes disse: porque o Senhor não era um messias do jeito que eles esperavam: um simples fazedor de milagres, um resolvedor de problemas… Jesus, pobre, manso, humilde, era também exigente e pedia do povo a conversão de coração. Mas, há também uma outra razão para os nazarenos rejeitarem Jesus: eles foram incapazes de ver além das aparências. De fato, enxergaram em Jesus somente o filho de José, aquele que correra e brincara nas suas praças, aquele ao qual eles haviam visto crescer. Assim, sem conseguir olhar com mais profundidade, empacaram na descrença. Mas, nós, conseguimos olhar com profundidade? Somos capazes de escutar na voz dos ministros de Cristo a própria voz do Senhor? Somos sábios o bastante para ouvir na voz da Igreja a voz de Cristo?

É exatamente pela tendência nossa, tremenda, de sermos surdos ao Senhor, que Jesus tanto sofreu e que Paulo se queixava das dificuldades do seu ministério. O Apóstolo fala de um anjo de Satanás que o esbofeteava. Que anjo era esse? Ele mesmo explica: suas “fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor de Cristo”. O drama de Paulo é uma forte exortação aos pregadores do Evangelho e a todos os cristãos. Aos pregadores do Evangelho essa palavra do Apóstolo recorda que o anúncio será sempre numa situação de pobreza humana, de apertos e contradições. A evangelização, caríssimos, não é um trabalho de marketing televisivo como vemos algumas vezes nos “missionários” dos meios de comunicação. O Evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado, é proclamado não somente pela palavra do pregador, mas também pela carne de sua vida. Como proclamar a Palavra sem sofrer por ela? Como anunciar o Crucificado que ressuscitou sem participar da sua cruz na esperança firme da sua ressurreição? O Evangelho não é uma teoria, não é um sistema filosófico. O Evangelho é Cristo Jesus encarnado na nossa vida, de modo que possamos dizer como São Paulo: “Eu trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6, 17) Triste do pregador que pensar em anunciar Jesus conservando-se para si mesmo. Um diácono, um padre, um bispo, que quisessem se poupar, que separasse a pregação do seu modo de viver, que fosse pregador de ocasião, tornar-se-ia um falso profeta, transformar-se-ia em marketeiro do Evangelho, portanto, inútil e estéril. É toda a vida do pregador que deve ser envolvida na pregação: seu modo de viver, de agir, de vestir, de relacionar-se com os bens materiais, sua vida afetiva, seu modo de divertir-se, seu tipo de amizade… Tudo nele dever ser comprometido com o Senhor e para o Senhor!

Mas, essa palavra de São Paulo na liturgia de hoje vale também para cada cristão. Hoje, somos minoria. O mundo não-crente, secularizado zomba de nós e já não crê no anúncio de Cristo que lhe fazemos. Sentimos isso na pele! Pois bem, quando experimentarmos a frieza e a dura rejeição, quando em casa, no trabalho, nos círculos de amizades, formos ignorados ou ridicularizados por sermos de Cristo, recordemos do Evangelho de hoje, recordemo-nos dos sofrimentos dos apóstolos e retomemos a esperança: o caminho de Cristo é também o nosso; se sofrermos com ele, com ele reinaremo; se morrermos com ele, com ele viveremos (cf. 2 Tm 2, 11-12) Não tenhamos medo: nós somos as testemunhas, os profetas, os sinais de luz que Deus envia ao mundo de hoje! Sejamos fiéis: o Senhor está conosco, hoje e sempre. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares/PE

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A Religião e a Juventude

Beato Pier Giorgio Frassati, jovem italiano, leigo, beatificado pelo Para João Paulo II em 20 de maio de 1990. Eis as palavras do Santo Padre, sobre este jovem, também chamado "o homem das oito bem-aventuranças": "Pier Giorgio é também um homem do nosso século, o homem moderno, o homem que amou muito.  É um mestre a ser seguido. (...) Nele o Evangelho se converte em solidariedade e acolhida, se faz busca da verdade e exigente compromisso em favor da justiça." Um jovem como tantos outros, que praticava esporte, gostava de teatro, artes, música... Mas que fazia de cada ato de sua vida um apostolado. Possuía,  enfim, esta viva religiosidade varonil!

Beato Pier Giorgio Frassati, jovem italiano, leigo, beatificado pelo Para João Paulo II em 20 de maio de 1990. Eis as palavras do Santo Padre, sobre este jovem, também chamado “o homem das oito bem-aventuranças”: “Pier Giorgio é também um homem do nosso século, o homem moderno, o homem que amou muito. É um mestre a ser seguido. (…) Nele o Evangelho se converte em solidariedade e acolhida, se faz busca da verdade e exigente compromisso em favor da justiça.” Um jovem como tantos outros, que praticava esporte, gostava de teatro, artes, música… Mas que fazia de cada ato de sua vida um apostolado. Possuía, enfim, esta viva religiosidade varonil!

Muitos jovens se afastam da vida religiosa ao verificarem o contraste entre a aparente religiosidade exterior de alguns companheiros e sua esterilidade espiritual. Outros, trazem à prática da religião demasiado sentimento e por seu sentimentalismo fazem com que a religiosidade seja mal interpretada pelas pessoas sérias. Religiosidade é o culto de Deus conjuntamente prestado pela razão, o coração e a vontade. O coração ou sentimento tem, pois, também seu papel, mas um elemento não deve demasiar-se em detrimento dos outros dois. Da religiosidade exageradamente sentimental pode-se dizer o que, infelizmente, alguns afirmam de toda a religiosidade: ela é própria só para o povo e as mulheres.

Como? A religião é boa somente para o povo e as mulheres? Para os cultos, inteligentes homens modernos não serve? — Certo que serve! A religiosidade bem compreendida, real, varonil, serve e sem contestação!

E quando será ela, real e varonil?

Podem alguns ter idéias de religião adulterada quanto o quiserem; não poderão negar que ela é um dos mais belos ornatos que constituem a verdadeira nobreza do homem.

Em nossos tempos, tentaram tirar à religião sua autenticidade, e substituí-la por diversas especulações científicas; em vão! Onde se atacou a religião, começou a decadência da virtude, da honestidade, do sentimento do dever, da consciência, do caráter — numa palavra, dos mais belos ideais da humanidade. Podemos buscar exemplos na história dos antigos gregos, dos romanos e outros povos. Ali, a vida dos próprios sábios, que procuravam tudo o que era bom e nobre, não se isentava de falhas, porque eles não conheciam a verdadeira religiosidade.

Mas, que é a verdadeira religiosidade?

Verdadeira religiosidade é a submissão da alma humana a Deus, nosso Criador e Supremo Fim. Esse “dobrar-se” nos dá forças contra nosso egoísmo, faz-nos independentes do mundo e de nossas inclinações desregradas. A religiosidade prodigaliza à alma tal ascendência sobre o mundo, que Kant a chamou com razão “Medicina universal”, pois nos torna capazes de suportar todas as penas.

Um grande general dizia: “Ser soldado é não comer quando se tem fome, não beber quando se tem sede, ajudar o companheiro ferido, quando a gente mesmo apenas consegue arrastar-se”.

Soldado de Cristo, no entanto, significa ser um jovem religioso; quer dizer, não cometer pecado, muito embora a tentação nos alicie; cumprir a todos os momentos o dever, por mais aborrecido que nos pareça; servir a Deus pelo heroico cumprimento de todas as obrigações da vida.

Se salvares alguém de um incêndio, ou retirares da água quem está a afogar-se, farás uma ação heroica. Contudo, em outras circunstâncias, terás o mesmo merecimento se recolheres um caco de vidro ou uma casca de laranja, para evitar que alguém corte o pé ou quebre uma perna. Ouvi contar que um jovem aventuroso sentara-se à margem do Danúbio, esperando que alguém caísse na água, para salvá-lo. Acho que ainda hoje lá está sentado e que envelheceu de tanto esperar. Entrementes ele perdeu mil ocasiões pequenas, que se teriam apresentado diariamente, para fazer algum bem. O valor duma boa ação não depende da dificuldade que apresentou, do tempo que durou, mas da prontidão, atenção, alegria e espírito de sacrifício com que foi realizada.

Meu ideal não é um jovem a quem errônea interpretação de religiosidade tira a alegria, o temperamento juvenil. Na realidade há desses “jovens piedosos”, que se retraem timidamente dos camaradas, não têm amizades e que consideram inconveniência e até pecado um bom humor tumultuoso, balbúrdia e chistes inocentes. São indubitavelmente jovens sinceros e dignos de respeito; mas julgam, ilusoriamente, que o sentimento religioso se restringe apenas a exterioridades.

O jovem deveras religioso nunca é excêntrico. Não fala muito de religião, mas vive segundo ela; com isso não quero dizer que dela se envergonhe. Entre bons companheiros, não procura ser a todo custo o mais valente; em companhia, porém, de camaradas levianos, não cede nem um ponto sequer de suas convicções.

Infelizmente, na alma de muitos moços, o sentimento religioso murmura apenas como um fio de água! Há por aí, lá longe, acima das nuvens, um bom velhinho, Deus, a quem devemos rezar, de vez em quando, ou porque dele queremos alguma coisa, ou porque o tememos; nisso consiste toda a sua religiosidade…

Santo Deus! Que esqueleto de religiosidade é essa, que pão seco em vez de alimento vivificante! O moço de fé profunda não representa a Deus muito acima das nuvens, uma vez que é incomensurável e ocupa o mundo inteiro, “pois, nele vivemos, nos movemos e somos”, e mesmo que o quiséssemos, Dele não poderíamos fugir.

Nem por sombra deveríamos fugir de Deus: Ele é o amor infinito que nos obriga a dobrar os joelhos; é a bondade inesgotável que atrai o coração do homem com força magnética.

Para o jovem verdadeiramente religioso, Nosso Senhor não é uma ideia oca, uma vida que se aprende onde nasceu, onde viveu, onde padeceu: Jesus é para ele uma realidade, cujo ser divino o grava em sua alma e nela se incorpora. Sem Ele a alma é uma gélida câmara frigorífica; no melhor dos casos, um jazigo mortuário, ornado de joias preciosas, sempre contudo um túmulo sem vida, sem calor, sem coração a pulsar.

Muitos jovens julgam religiosidade certo gosto de rezar e ir à igreja. São apenas formas exteriores de religião, aliás necessárias; mas se a religiosidade se resumir só nisso, corre o perigo de ser mera exterioridade.

Por verdadeira e varonil religiosidade, eu entendo muito mais. Entendo a ideia, que enche toda minha vida; o pensamento de que, em todo o meu ser cada pulsação do coração, a todo instante, com todos os meus pensamentos, sou humilde servo do Pai Onipotente, ao qual portanto gosto de rezar, cujas igrejas visito com alegria, mas a quem também quero servir a todas as horas, com todos os meus alentos. Para o jovem realmente religioso, rezar não é somente recitar o Pai Nosso, mas qualquer trabalho e o próprio recreio. Oração é sua refeição, seu estudo, o cumprimento de seus deveres, sua vida toda, porque quer com isso glorificar a Deus.

Vê, filho meu, isso é religiosidade varonil! Já refletiste desta maneira sobre o que quer dizer ser jovem religioso?

Que sabe de tudo isso o moço sem vibração de alma, para quem a religiosidade consiste em recitar sem atenção à noite, sua oração, e assistir à missa aos domingos porque está obrigado! Pobrezinho! Contenta-se com um fio de água, quando têm à mão torrentes copiosas de águas vivificantes.

Verdadeira religiosidade é alegria e consolação, estímulo e vibração na vida do homem.

Fonte: TOTH, Tihamér. A religião e a juventude. Taubaté, SP: Editora SCJ, 1951, p. 75-79.

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É tempo de homens novos!!!

15 Feb 2005 --- Man Praying with Cross in Hands --- Image by © Con Tanasiuk/Design Pics/CorbisEra noite quando me encontrei com Ele. Eu me apressei em dizer:

– Mestre, eu sei que você vem da parte de Deus, pois ninguém pode fazer os sinais que você faz, se Deus não estiver com ele.

A resposta de Jesus para mim foi misteriosa.

– Em verdade, digo a você: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

– Como um homem pode nascer, sendo já velho? – perguntei – Ele poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?

Ele, então, foi mais direto.

– Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não se admire de eu ter dito: você deve nascer de novo (Jo 3, 1-7).

Talvez a minha primeira pergunta não deveria ter sido “Como”, e sim, “Por que eu preciso nascer de novo?” Bom, eu não sou lá essa perfeição toda, mas a minha vida está boa. Eu estudo, trabalho, gosto da minha família e dos meus amigos, faço minhas orações, uso cinto de segurança, não jogo lixo na rua, fiz doação na campanha dos desabrigados… Bom, eu gosto da minha vida. Por que mudar? Mas também para essa pergunta Ele já havia me dado a resposta: O que nasceu da carne é carne. E Ele, que me ama tanto e quer que eu chegue ao conhecimento da verdade, me faz lembrar que minha história está muito marcada por várias das chamadas obras da carne: “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes” (Gl 5, 19-21). É, de fato, eu nasci da carne, porque o homem que eu sou hoje é resultado de muitas dessas experiências.

Muitas vezes é na noite de nossa história que temos um encontro pessoal com Jesus. Inclusive são muitas dessas experiências da noite que nos levam a Ele. Chamo de encontro pessoal porque Cristo não é o personagem de um livro antigo, uma figura ilustre da história. Não! Eu falo dele porque foi na minha história concreta que Ele se revelou; é a minha história que Ele está transformando em história da salvação. Se nascemos da carne, nascemos também do Espírito, porque, batizados na água e no Espírito, agora estamos em Cristo. E “se alguém está em Cristo é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova” (2 Cor 5, 17).

Respondido, então, o meu primeiro questionamento, eu passei, de fato, à minha pergunta:

Como nascer de novo?

E o Senhor foi mais claro ainda (vocês notaram que eu sou meio lento para entender):

– Deixe-se conduzir pelo Espírito e você não satisfará os desejos da carne (Gl 5, 16). O que há dentro de você é um germe de homem novo e o Espírito Santo, que o plantou aí, todos os dias vai ensinando a você a remover o seu modo de vida anterior – o homem velho, que se corrompe ao sabor das concupiscências enganosas – e a se renovar pela transformação espiritual da sua mente, revestindo você do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade (Ef 4, 22-24).

E Ele foi me explicando que, aos poucos, minhas verdades vão sendo encaradas com um novo olhar, uma mentalidade nova vai sendo moldada, à medida em que eu me aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, participar ativamente da Igreja, dedicar-me à oração, construir amizades com pessoas que também busquem a Deus com sinceridade. Para resumir, o convite constante que o Espírito me fará é de ofertar a Deus, sem temor, a minha vida e a minha história cheia de marcas, para que Cristo faça novas todas as coisas (Ap 21, 5).

Com o coração cheio de alegria, já estava indo embora quando o Mestre acrescentou:
O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito (Jo 3, 8).

Eu não consegui segurar o sorriso largo, imaginando a aventura grande que Ele estava reservando para mim. Eu não sei para onde serei levado, mas sigo caminhando.

Quando percebi, já não era mais noite; o dia já estava amanhecendo.

Autor: Robério Nery – http://www.homemcatolico.com.br/

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Meu Senhor e Meu Deus!

300px-Caravaggio_-_The_Incredulity_of_Saint_ThomasTomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20, 24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20, 28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11, 1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20, 29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1, 16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2, 26).

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, Papa (Hom. 25, 7-9: PL 76, 1201-1202, séc. VI)

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Estamos de volta!!!

Saudações, povo católico!

Depois de quase um ano e meio, estou de volta às postagens… Precisei desse tempo voltar com força total, a Força do Céu!!!

Muita coisa aconteceu nesse tempo: nascimento de nossa filha, Consagração Total à Nossa Senhora, mudança de setor no trabalho… Mas Deus guiou todas as coisas e aqui estou, num momento abençoado da minha vida!

Quem quiser vir comigo, #partiu!!! E “vamos que vamos” com a Graça de Deus e o Amor de Maria!!

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200.000 visitas!!!

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Gostaria de agradecer primeiramente a Deus, por estes 2 anos e 9 meses de vida do Blog Sacrifício Vivo e Santo!!! Tem sido muito bom evangelizar através deste meio…

Mas gostaria de agradecer, também, aos queridos leitores, pois alcançamos a maravilhosa marca de 200.000 visitas!!! De coração, muito obrigado!!!

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Orai sem cessar!!!

Um pequeno resumo/esquema da Liturgia das Horas…

“Orai sem cessar.” Este é o que diz o Apóstolo Paulo à igreja de Tessalônica, mas não só a ela. A Igreja Católica não cessa de elevar seus louvores a Deus Pai, por Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. O centro de toda a oração da Igreja é a Santa Missa, na qual Cristo oferece na pessoa do sacerdote a si próprio como oblação agradável a Deus, todavia, não resume a ela as preces públicas que dirige a Deus todos os dias.

A liturgia das horas, também chamada de Ofício Divino, é o conjunto das orações realizadas ao longo de todo o dia. O Breviário, livro que trás os textos dessa liturgia, reformado por decreto do Concílio Vaticano II, apresenta sete horas canônicas, sendo elas: Ofício das Leituras, Laudes, Terça, Sexta, Nona, Vésperas e Completas.

Atualmente o Breviário traduzido para o vernáculo para o Brasil é dividido em 4 volumes. O primeiro, tempo do Advento e Natal; o segundo, Quaresma e Páscoa; o terceiro e o quarto, primeira e segunda parte do tempo comum, respectivamente. Existe ainda à venda a versão de volume único que trás a oração das Laudes, Sexta, Vésperas e Completas.

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1. Estrutura da Liturgias das Horas

A estrutura de todas as horas é bastante parecida, embora cada uma delas possua elementos característicos. A seguir apresentamos um esquema em que cada coluna representa a estrutura de alguns horas canônicas, as linhas mescladas representam elementos comuns às horas em questão.

Laudes e Vésperas
Completas
Horas Médias
Ofiício das Leituras
Laudes é a oração da manhã, e vésperas a oração do entardecer. São as duas horas mais importantes da Liturgia das Horas, formando os polos do dia. Uma consagra o dia ao Senhor e a outra agradece pela jornada de trabalho.
Completas é a última das horas do dia, também a mais curta de todas. Agradece pelo dia, roga por uma noite tranquila e uma morte santa.
Mantém o ritmo de oração do longo da jornada de trabalho.
É a antiga hora noturna, que todavia pode ser rezada a qualquer momento do dia ou da noite. É a hora mais “didática” que além da salmodia, apresenta leituras bíblicas, da vida dos Santos e dos Padres da Igreja
Invocação
Todas as horas começam com um pequeno versículo, seguido do Gloria ao Pai e o Aleluia.
V/. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R/. Socorrei-me sem demora.
Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Como era no princípio agora e sempre. Amém. Aleluia.”
Durante o versículo, traça-se o sinal da cruz, ao glória ao pai faz-se inclinação profunda. O Aleluia se omite apenas no tempo da quaresma.
Laudes ou o Ofício das Leituras, conforme uma ou outra principie o dia de oração será iniciada, não como foi dito acima, mas com a oração chamada “inviatório” que consta do versículo:
V/. Abri, Senhor, os meus lábios.
R/. E minha boca anunciará vosso louvor”
E do salmo com respectiva antífona. O inviatório não é uma hora canônica, mas apenas um elemento que substitui a introdução da primeira hora rezada no dia.
Se recomenda um exame de consciência e um ato penitêncial conforme consta no apêndice do Breviário.
Hino
O Hino é uma pequena composição poética não-biblíca intimamente relacionado com o ofício que se celebra. Sua última estrofe é uma doxologia, na qual se rende glória à santissima trindade e deve-se fazer inclinação como que para o Gloria ao Pai.
Salmodia
A Salmodia é o centro das horas. Nela o Cristo reza ao Pai com aqueles mesmos textos que ele proferiu nas suas orações pessoais, com seus discípulos e mesmo quando pregado na cruz. A salmodia de toda as horas constam de três elementos. Todos os salmos ou cânticos possuem uma antífona que deve ser rezada antes e depois dele, antes de repetir a antífona, ao fim do salmo, se diz Gloria ao Pai, a não ser que as rubricas indiquem o contrário.
Em Laudes são dois salmos, intercalados por um cântico do antigo testamento. Em Vésperas são dois salmos, seguidos por um cântico do novo testamento.
Nas completas se diz apenas um salmo ou dois salmos curtos.
No ofício das leituras e nas horas médias são três salmos.
Leitura Breve
Terminada a salmodia, faz-se uma leitura breve. Diferentemente das leituras da missa, a leitura breve não possui qualquer introdução ou conclusão, “Leitura do Livro…” ou “Palavra do Senhor”.
Responsório Breve
Finda a leitura, reza-se um pequeno responsório que vem escrito no seguindo modelo no breviário:
R/. Cristo, Filho do Deus vivo,
* Tende pena e compaixão! R/. Cristo.
V/. Glorioso estais sentado, à direita de Deus Pai.
* Tende pena. Gloria ao Pai. R/. Cristo.”
E se reza da seguinte forma:
R/. Cristo, Filho do Deus vivo,
* Tende pena e compaixão!
R/. Cristo, Filho do Deus vivo,
* Tende pena e compaixão!
V/. Glorioso estais sentado, à direita de Deus Pai.
* Tende pena e compaixão!
Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R/. Cristo, Filho do Deus vivo,
* Tende pena e compaixão!”
Versículo
V/. É eterna, ó Senhor vossa Palavra.
R/. De geração em geração vossa verdade.”
Em vez de responsório, as horas médias depois da leitura breve diz apenas um versículo.
No ofício das leituras esse versículo se diz no final da salmodia, antes de passar para as leituras longas.
Cântico Evangélico
Às primeiras palavras, faz-se o sinal da cruz. O cântico evangélico também possui antífona e Gloria ao Pai, como os salmos.
Leituras Longas e Responsórios Longos
As leituras longas possuem introdução mais simples que da missa do tipo “Do Livro do Profeta Isaías”, mas não conclusão. Ao fim de cada leitura longa se diz um responsório longo. A primeira leitura é sempre bíblica e a outra da vida de um santo, dos escritos de um dos padres da Igreja, um documento do magistério, etc.
O Cântico Evangélico para as Laudes é o Benedictus, cântico de Zacarias; para as Vésperas é o Mangificat, cântico de Nossa Senhora.
O Cântico Evangélico para as Completas é o Cântico de Simeão, Nunc Dimitis.
Preces ou Intercessões
Reza-se, então, as preces com as quais a Igreja intercede a Deus por todas as necessidades do mundo. Dizem-se as intenções que constam no Breviário, todavia pode-se acrescentar intenções particulares, contanto que se observe que a última intenção nas vésperas será sempre pelos falecidos. Nas vésperas pode-se dizer as preces mais breves conforme consta no apêndice.
Pai Nosso
O Pai Nosso se reza de manhã e à tarde, numa e outra hora. Com o Pai Nosso da Santa Missa, tem-se a oração do Senhor rezada solenemente três vezes ao dia. Como o da Santa Missa, o pai nosso da liturgia das horas também não tem “Amém”.
Te Deum
Após o segundo responsório longo se diz o hino Te Deum (“A vós o Deus, louvamos”), se for solenidade, festa ou domingo fora da quaresma e advento.
Oração
Para finalizar a hora se diz uma oração.
Não é precedida de “Oremus”. A conclusão da oração é a opção mais longa “Por Nosso Senhor Jesus Cristo…” ou similar.
Precedida de “Oremus” e terminada com a conclusão mais curta: “Por Cristo, Senhor Nosso” ou semelhante. Note que por vezes a oração é indicada para ser usada em todas as horas e, por padrão, vem com a conclusão menor, que deve ser substituida por sua respectiva semelhante menor.
Bênção
Na oração privada conclui-se traçando o sinal da cruz e dizendo “O senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal…”. Se se reza com um sacerdote ele dará a bênção como na Missa: “O senhor esteja convosco”, “Abençoe-vos…” e ainda dirá a despedida.
Bênção
Traça-se o sinal da cruz sobre si dizendo “O Senhor todo poderoso nos conceda uma noite tranquila…”. Segue uma antífona de Nossa Senhora como a Salve Rainha.
Conclusão da Hora
Ao menos na celebração comunitária, se conclui dizendo:
V/. Bendigamos ao Senhor
R/. Demos Graças a Deus.”

 

Na falta do breviário, uma ótima opção para rezar a liturgia das horas é o site Liturgia das Horas, que disponibiliza o texto das horas segundo a tradução para o Brasil, atualizado durante o dia já com a hora a ser rezada; para rezar em Latim, o site Amudi disponibiliza o texto oficial.

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2. Ordinário, Próprio e Saltério

Toda a liturgia possui partes fixas e partes que variam de acordo com o ofício. No missal temos o Ordinário e o Próprio. Fazem parte do ordinário os ritos iniciais “Em nome do Pai…”, o ato penitencial, o Gloria, a Oração Eucarística, enfim, todas aquelas partes que se repetem invariavelmente em todas as missas, embora o Missal da forma ordinária traga uma enorme quantidade de opções para estas partes. O próprio é constituido pela oração do dia, leituras, salmo, evangelho, oração sobre as oferendas e depois da comunhão, todas aquelas partes que variam de acordo com o dia, o tempo.

No caso da liturgia das horas, vemos que existem poucas orações que são realmente do ordinário, como a introdução das horas, os cânticos evangélicos, o inviatório e as conclusões. Na liturgia das horas, o ordinário se caracteriza por ser um conjunto, não tanto de orações, mas de rubricas que explicam como rezar o ofício. Assim, a maior parte dos textos da liturgia das horas vem do próprio, que é o conjunto dos textos de cada tempo litúrgico, solenidade, festa, etc, mas diferentemente do missal, também do Saltério.

O Saltério é originalmente o conjunto dos salmos a serem ditos nas orações divididos em um ciclo de 4 semanas aos quais no Breviário se juntaram outras orações que passaram a ser ditas também no ciclo de 4 semanas. Por exemplo, nesta semana a liturgia das horas tem seus textos retirados da V Semana do Tempo Comum, bem como da I Semana do Saltério. Aquilo que será retirado do próprio e aquilo que será retirado do saltério varia de acordo com o tempo litúrgico; no tempo comum, a maior parte dos textos está no saltério, enquanto que na quaresma consideravel parte dos textos está no próprio.

Para as celebrações dos santos, existem dois esquemas. O primeiro mais completo se refere às solenidades e festas, nas quais tudo é feito como no próprio do santo e todos os demais textos são retirados do comum dos santos; lembrando que apenas as solenidades possuem I Vésperas no dia anterior.Nas solenidades, diz-se completas depois das I e II Vésperas, no dia anterior e no dia do santo, respectivamente. Nas festas nada se diz do santo nas completas.

O segundo, mais simples, se refere às memórias facultativas ou obrigatórias, se toma todos os textos do próprio do santo para Laudes, Vésperas e Ofício das Leituras, o que faltar é tomado do comum, com exceção dos salmos e suas antífonas que se dizem do saltério do dia corrente. Embora exista a possibilidade de não se recorrer ao comum no caso das memórias, mas simplesmente dizer os textos do saltério, essa opção parece bastante simplista e reduz a memória do santo à oração do fim do ofício ou a alguns poucos elementos do próprio do santo. Nas memórias nada se diz do Santo nas Horas Médias ou nas completas.

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3. Memória de Santa Maria no Sábado

A devoção à Nossa Senhora, particularmente celebrada no dia de sábado, é um costume antigo na Igreja. A forma extraordinária prevê que se diga Missa votiva de Nossa Senhora nos sábados durante todo o ano, salvo se o dia for impedido pelas rubricas. Na forma ordinária a devoção à Nossa Senhora neste dia ganhou uma organização um pouco diferente. Não se diz Missa votiva, mas faz-se memória facultativa. Para a liturgia da Santa Missa, isso não configura mudança significativa; para o ofício divino sim. Com a memória de Nossa Senhora, permite-se dizer Laudes e Ofício das Leituras com textos de Nossa Senhora, que o Breviário traz junto ao comum de Nossa Senhora. Não se diz Vésperas por que no sábado se rezam I Vésperas do Domingo e na Hora média não se diz nada das memórias dos santos.

4. Vigílias

Aqueles que desejarem nos domingos e solenidades celebrar uma vigília podem fazê-la prolongando o Ofício das Leituras. Ao fim das leituras longas e respectivos responsórios, diz-se os três cânticos com respetiva antífona que estão no apêndice do Breviário. Então faz-se a leitura do Evangelho conforme o mesmo apêndice. Por fim, diz-se o Te Deum, se for o caso, e conclui-se a hora como de costume.

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5. Celebração em comum

Toda a liturgia da Igreja não é ação particular, assim, embora se permita a oração privada da liturgia das horas, é desejável sempre que possível rezar de forma comunitária. A oração comunitária, todavia, não significa que tenha de ser presidida por um clérigo; os próprios leigos podem se reunir para rezar a oração na Igreja ou mesmo fora dela. Durante a celebração, permanecem em seus lugares na nave da igreja, aquele que guia a introdução, a oração e a conclusão da hora age como um entre os iguais. Não se sobe ao presbitério, exceto para as leituras longas e breves e as preces.

Observem-se as posições corporais. Todos ficam de pé do início até o fim do hino. Sentam-se para a salmodia e leituras com respectivos responsórios. Faz-se de pé ainda o cântico evangélico, as preces, o Pai Nosso, a oração final e a conclusão. Ao cântico evangélico se deve o mesmo respeito que para o Evangelho pronunciado na missa; ao início do mesmo traça-se o sinal da cruz. Nas vigílias se dizem os cânticos sentados e o evangelho se escuta de pé.

Este modelo de celebração, mais simples, é útil às comunidades sub-paroquiais, aos grupos de fieis que se reúnem para celebrar o ofício divino fora da igreja e também para as famílias que mantém o costume de se reunir para rezar algumas horas canônicas. No caso das igrejas matrizes e catedrais, cabe aos clérigos, seja o pároco, os cônegos ou mesmo o Bispo, convocarem e dirigirem a oração da comunidade, como diremos mais adiante.

O canto é um elemento fundamental da liturgia das horas, os salmos que constituem o núcleo dos ofícios são orações cantadas por sua própria natureza. E como diz Santo Agostinho “Quem canta bem, reza duas vezes”. Assim, seria bom que se preparasse para a oração comum um coro que pudesse auxiliar a assembleia a cantar a hora canônica em latim ou vernáculo. Nesse sentido, a IGLH oferece alguns elementos que podem facilitar a participação mais ativa dos presentes, como a possibilidade de cantar o salmo de forma responsorial, utilizando como resposta a própria antífona e repetindo-a a cada estrofe.

Em relação a quais horas rezar em comum, tenha-se sempre em mente a hierarquia de importância das diversas horas, cujo primeiro lugar pertence a Laudes e Vésperas. Todavia, quaisquer uma das horas podem ser rezadas em comum observando o momento de cada uma ao longo do dia.

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6. Celebração presidida por clérigo

Na celebração presidida por clérigo, ele dirigirá os ritos da cadeira presidencial. De lá, deve dizer o versículo inicial, fazer a introdução das preces e do Pai Nosso, a oração final e a conclusão. Em Laudes e Vésperas saudará, abençoará e despedirá o povo.

Para a celebração mais simples de qualquer uma das horas, o clérigo poderá vestir estola da cor do ofício sobre a sobrepeliz ou veste coral. Não há obrigatoriedade de procissão de entrada ou ministros que o sirvam.

Para a celebração mais solene das Laudes, Vésperas e Vigílias, o celebrante, presbítero ou Bispo, vai revestido de amito, alva, cíngulo, estola e pluvial. Pode ser assistido por diáconos que vestem-se como que para a missa, com dalmáticas. O celebrante em vez de alva, também poderia usar sobrepeliz, todavia essa seria uma opção menos solene, além do que os diáconos não podem endossar dalmática com sobrepeliz e, neste caso, seria bom que o celebrante também optasse por usar alva. Outros sacerdotes, de maneira particular os cônegos nas celebrações presididas pelo Bispo, podem também vestir-se com pluvial. Do contrário, participam da celebração com hábito coral próprio.

Pode-se realizar uma pequena procissão de entrada, bem como recessional. Para essas procissões se usam apenas duas velas. O Cerimonial dos Bispos não cita o incenso entre os elementos que compõem a procissão de entrada, todavia nas vésperas celebradas pelo Papa é comum que ele preceda a cruz, como na procissão de entrada da Missa. Atrás da cruz vão os acólitos, clérigos em vestes corais, diáconos, presbíteros e por fim aquele que preside. Se for Bispo, irá acompanhado por dois diáconos-assistentes, além dos acólitos-assistentes. Chegando ao altar, faz-se reverência profunda ou, se o santíssimo estiver ali fazem genuflexão. Aquele que preside e os diáconos que o assistem podem beijar o altar, mas não se faz incensação no início da celebração.

Realiza-se a celebração como já ficou descrito anteriormente, de acordo com a estrutura de cada uma das horas canônicas. O Bispo recebe a mitra quando está sentado e a depõe quando está de pé, exceto para a homilia e bênção final. O báculo se usa para uma eventual homilia e para a bênção; e, nas Vigílias, para ouvir a leitura do Evangelho e o Te Deum.

Na celebração das Laudes e Vésperas, durante a antífona do cântico evangélico, o celebrante deita incenso no turíbulo e o abençoa. Então se benze, como todos os demais. Incensa-se a cruz, o altar, o sacerdote e o povo, como na Santa Missa. Embora seja descrito como um rito a ser cumprido por aquele que preside, é comum nas celebrações pontifícias que este rito seja cumprido integralmente por um diácono. Na celebração das Vigílias de modo solene, pode-se realizar a leitura do evangelho como na Santa Missa: com bênção do incenso, oração à frente do altar ou a bênção ao diácono.

Um inconveniente deste tipo de celebração é que não existem lecionários para serem usados na liturgia das horas ou mesmo um livro para o celebrante. Devendo os textos ser retirados do livro pessoal, o Breviário.

Fonte: Salvem a Liturgia! (http://www.salvemaliturgia.com/)

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