“Crônica na Casa do Arcebispo” sobre o encontro do Clero de Maceió com os candidatos à Prefeitura

De autoria do Pe. Márcio Manuel Machado Nunes, vice-reitor do Seminário e vigário paroquial da Paróquia Senhor do Bonfim, no Poço.

Crônica na Casa do Arcebispo
Pe. Márcio Manuel Machado Nunes
17 de setembro de 2012.

“Não precisamos de uma Igreja que se mova com o mundo; precisamos de uma Igreja que mova o mundo”. (Chesterton).

Há alguns minutos, estava na residência episcopal de Maceió. Foi lá que tive a grata satisfação de constatar a força de um processo democrático no que há de mais autêntico em sua essência. Estávamos todos reunidos sob a direção do anfitrião Dom Antônio Muniz, num clima de fraternidade onde todos se reconheciam como protagonistas de um único destino: o bem da estigmatizada cidade de Maceió. Éramos bispo, padres, leigos, candidatos; éramos todos, ao mesmo tempo, e sem contradição alguma: cidadãos.

Não era um debate acalorado e cheio de alfinetadas, não eram palavras e projetos ao vento, era o momento da verdade, todos estavam intimados à transparência que nos faz livres para mostrarmos quem de fato somos. Recordo-me que um dos candidatos, na primeira fala da noite, disse de seu constrangimento em estar na casa do Bispo para falar de política. Com certeza, se referia a tudo aquilo que é dito sob o impulso provocado pelas mais diversas intenções. Nada soava de maneira coercitiva, nada de constrangimentos, ninguém era desmerecido ou deixado de lado pela posição nas pesquisas, não se havia necessidade de respostas acaloradas; pois, naquele instante, provava-se o silêncio de se saber ser escutado e acolhido indistintamente. Havia abertura e de maneira unânime queríamos conhecer mais profundamente a pessoa do candidato, não apenas seu partido e ideologia. Duma maneira incrivelmente nova pude encontrar os candidatos um ao lado do outro, reconhecendo-se como quem tem desejos e sonhos que ultrapassam qualquer filiação partidária. Não eram adversários, eram “companheiros” onde um ao lado do outro podiam falar de seus anseios mais nobres para a edificação de Maceió como cidade de Paz.

Há de fato uma política diferente da que se diz entre os desentendidos, há uma política que está na alma de todo homem e de toda mulher, ela nos faz todos muito parecidos, ela conduz a todos para o bem da verdade, para a promoção da dignidade, daquilo que temos e somos de melhor como homens e mulheres. Esta é a política em que a Igreja de maneira indissociável vive. Não há como ficar de fora quando se quer a defesa e o direito dos mais desamparados. No exercício da política, nos tornamos mais humanos. Como podemos ser ternos e compassivos, sendo pessoas com preocupações políticas! Ou seja, como podemos ser mais cristãos vivenciando a realidade política!

A atmosfera da casa do arcebispo era diferente de tudo que até então podíamos encontrar entre os candidatos no certame das disputas e ofensas, em seus respectivos horários eleitorais. Cada um, democraticamente, livre, num espaço de dez minutos (nem sempre cumpridos) expunha seus anseios e propostas para a capital das Alagoas.

Depois do jantar, foi a hora daqueles que misturados ao povo mais simples convivem dia após dia com as dores e clamores dos desvalidos. As perguntas poderiam ser resumidas em: a bem da verdade, não apenas qual o seu sentimento, mas qual sua proposta diante das atrocidades que diariamente constatamos?

Naquele instante, escutou-se testemunhos dramáticos, profundamente pessoais, como o do exílio forçado por causa de crimes brutais que dizimou famílias. Temas de interesse de todos: saúde, educação de qualidade, segurança, saneamento, turismo sustentável, etc. Todos com propostas excelentes, desejos e sentimentos nobres. Oxalá o candidato vencedor concretize tudo aquilo que apresentou!

Entre todas estas coisas, o que de mais significativo foi para mim e que guardei em minha memória estava no potencial da Igreja como instrumento da promoção humana, isto desde tempos remotos. De maneira independente e digna, a Igreja pode e deve inserir-se no meio político para provocar mudanças.

Não podemos deixar de dizer do marco histórico, fundante e referencial que foi o encontro na casa do Arcebispo. De grande proveito para todos que estiveram lá e todos que, de alguma maneira, tomarão conhecimento deste e através da Carta de Compromisso assinada pelos candidatos, chamada de Carta da Casa do Arcebispo.

Nosso reconhecimento à Comissão de formação Política da Arquidiocese que organizou este momento memorável. Foi tudo concluído com a benção de Dom Antônio Muniz.

 

Fonte: Arquidiocese de Maceió (http://www.arquidiocesedemaceio.org.br/)

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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