Questões sobre a morte e o além – I

Saudações, caríssimos!

A morte, e consequentemente o “pós-morte” (o além), sempre foi um tema alvo de especulações as mais diversas, e é em vista dele que surgiram as principais religiões. Todavia, a fé cristã não trabalha com especulações, mas sim, com a verdade apresentada a nós por Jesus Cristo, o Deus Vivo, o qual nos disse que voltaria ao Pai, e iria preparar um lugar para nós!

Então é que, com base nos ensinamentos do Mestre, trazemos para vocês uma série de artigos, de autoria de Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju/SE, o qual nos apresenta os principais pontos da nossa fé católica quando o tema é a morte e o além, pois, como ele mesmo escreve: “não cremos em mitos, não esperamos num vazio”, pois a Verdade veio a nós e nos mostrou o caminho a seguir!

Espero que gostem, e se deliciem com os ensinamentos prelado!

Vamos ao texto:

Meu caro Leitor, gostaria de propor-lhe uma pequena série de artigos sobre o sentido cristão da morte e do Além. É importante tratar destes temas, pois são cruciais para a nossa fé católica: não cremos em mitos, não esperamos num vazio!

Antes de tudo, tenhamos claro que nossa esperança repousa unicamente em Cristo: Sua Ressurreição é garantia e modelo da nossa: o destino de Jesus na Sua morte e ressurreição é o único critério para o cristão; é a garantia da nossa Esperança. Aquilo que aconteceu Nele é feliz antecipação da nossa herança futura. Em outras palavras: quer ver o nosso futuro? Olhe Jesus e o que ocorreu com Ele!

A Escritura nos ensina que a Manifestação gloriosa do Senhor no final dos tempos será causa da Ressurreição dos mortos: Cristo glorioso glorificará toda a humanidade, vivos e mortos: “Esperamos o Salvador Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao Seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a Si toda criatura” (Fl 3,20s).

É importante, desde já, fazer uma distinção sobre o modo como o Novo Testamento utiliza a palavra “ressurreição”. Há três modos de usá-la: (1) em sentido figurado: como volta de um morto a esta vida. É o caso da “ressurreição” de Lázaro, da filhinha de Jairo, do filho da viúva de Naim. Aqui não se trata rigorosamente de ressurreição no sentido cristão da palavra, mas de revitalização: ou seja, alguém estava morto e voltou a esta vidinha nossa. (2) em sentido neutro: como passo prévio ao juízo: o homem não ficará na morte; ele, quer salvo quer condenado, continuará vivendo após a morte. Todos “ressuscitarão” para serem julgados! Este não é ainda o sentido teologicamente mais profundo, forte e verdadeiro de ressurreição; (3) em sentido teologicamente positivo, propriamente cristão: como plena participação e configuração à vida de Cristo ressuscitado. Tal ressurreição é reservada somente aos bons: aqueles que viveram na comunhão com Cristo serão completamente transfigurados, transformados em Cristo ressuscitado: serão como o próprio Cristo: passarão desta vida para uma outra Vida, divina, plena, realizada, eterna! Este último sentido é o que realmente tem importância e faz parte essencial do anúncio cristão; antes, é o próprio centro do Evangelho! Quando dizemos que Cristo ressuscitou e que, Nele, nós ressuscitaremos, é a este último sentido que estamos aludindo! A Ressurreição que nos interessa é esta última!

Ressurreição, então, é a passagem desta vida limitada, ambígua, precária (bíos, psyché) para uma Vida plena, diversa desta nossa vida de agora (zoé): teremos a Vida do próprio Cristo ressuscitado, uma Vida divina, na qual nosso corpo e nossa alma serão transfigurados. Como diz a III Oração Eucarística na Missa para as crianças: “No Reino de Jesus ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste!”

Nosso corpo será transfigurado, como o de Jesus: não mais estará sujeito às leis da física, da matéria como a conhecemos agora; nossa alma também será ressuscitada, isto é, transformada: nunca mais teremos tristezas, depressão, saudades… Seremos plenamente realizados, porque estaremos para sempre com o Senhor, que saciará todas as nossas sedes e realizará todos os mais profundos anseios do nosso coração! É isto que significa ressuscitar! Mas, vamos seguir passo a passo o Novo Testamento!

Vejamos, primeiro, o ensinamento do próprio Jesus Cristo. No Seu tempo, a Ressurreição era uma doutrina muito divulgada e aceita entre os judeus. Somente os saduceus achavam que a vida acabava com a morte (cf. Mc 12,18; At 23,6-8). Uma ideia que nunca existiu no meio do povo de Israel foi a da reencarnação – esta não tem nada a ver com a Bíblia! Contra os saduceus, Jesus ensinou que Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos: Ele é o Deus que ressuscita Seus amigos (cf. Mc 12,18-27). Ainda para Jesus, essa vida após a morte será vida com o corpo e não somente como a alma: “Não tenhais medo dos que matam o corpo mas não podem matar a alma. Deveis ter medo Daquele que pode fazer perder-se a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28). Observe bem, meu Leitor, que segundo o Evangelho, corpo e alma sofrerão no inferno: “Se teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e joga longe de ti, pois é preferível perder um dos teus membros do que teu corpo inteiro ser lançado no inferno. E se tua mão direita te leva a pecar, corta-a e joga longe de ti, pois é preferível perder um dos teus membros do que teu corpo inteiro ser lançado no inferno” (Mt 5,29s).

É o homem todo, no seu corpo e na sua alma, que é salvo ou condenado! A ideia de uma alma desencarnada que não tem nada a ver com o corpo, é totalmente contrária ao pensamento bíblico! Jesus ensina também que bons e maus “ressuscitarão” (no segundo sentido, que apresentei acima) para o julgamento: e, assim, uns ressuscitarão para a Vida (verdadeira Ressurreição: estar com Cristo e, com Ele, ser glorificado) e outros ressuscitarão para a morte (ressurreição em sentido figurado: viver no Inferno, viver na morte!): “Não vos admireis, porque vem a hora em que todos os que estão mortos ouvirão sua voz. Os que praticaram o bem sairão dos túmulos para a ressurreição da vida; os que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5,28s).

O próprio Senhor ensinou também que, após a Sua Ressurreição, aqueles que na Eucaristia comessem Seu corpo ressuscitado, pleno de Vida eterna, ressuscitariam também com Ele e como Ele. Ressurreição, aqui, no sentido forte, profundo, verdadeiro: “Jesus lhes disse: ‘Na verdade Eu vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe Meu sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia. Quem come Minha carne e bebe Meu sangue permanece em Mim, e Eu nele” (Jo 6,53s.56). Assim, Jesus não somente anunciou Sua própria Ressurreição (cf. Mc 8,31; Mt 16,21ss; Lc 9,22, etc), como também ensinou que todos ressuscitariam através Dele! Há uma passagem em Mateus que mostra bem isto: “Os túmulos se abriram e muitos corpos de santos ressuscitaram. Eles saíram dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos” (Mt 27,52s). Qual o significado deste trecho tão misterioso? Mateus quer afirmar somente que a Ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição. A Cidade Santa na qual os mortos entrarão é a Jerusalém celeste, a Glória do Corpo de Cristo, isto é, o Céu (cf. Ap 21,2.10; 22,19). Mateus usa, aqui, aquele tipo de linguagem que os estudiosos da Bíblia chamam de apocalíptica: uma linguagem cheia de figuras!

Concluindo, por enquanto: 1) Jesus ensinou a Ressurreição; 2) ensinou que ressuscitaremos em todo o nosso ser, corpo e alma; 3) ensinou que há uma Ressurreição para a Vida (verdadeira Ressurreição) e uma ressurreição para a morte (para a condenação: ressurreição às avessas!); 4) o próprio Jesus é a causa da nossa Ressurreição: ressuscitaremos porque Ele ressuscitou!

Voltaremos ainda a este tema em outros escritos…

Autor: Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju/SE

Fonte: Blog Visão Cristã

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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