Jesus e as diversas formas de santidade

 
A intimidade de Cristo, sobre a qual já falamos, assume diferentes formas que contribuem para a harmonia do corpo místico de Nosso Senhor, isto é, sua variedade na sua profunda unidade. Na Igreja, a união dessas duas notas: a unidade e a catolicidade (a unidade de fé, de esperança, de caridade, de culto, de governo, apesar da variedade de lugares e de tempo, de raças, de línguas, de costumes, de instituições) constitui, no meio de tantas causas de divisão, um milagre moral permanente (Denz. Ench. 1794). É também a realização de uma profecia de Cristo, o qual anunciou que sua Igreja devia se espalhar por todos os povos (Mt 28, 19) e que, portanto, ela devia permanecer perfeitamente una (Jo 17, 20) para conduzir as almas de todos os países e de todos os séculos à vida eterna.
 
É importante perceber bem a razão desta variedade na unidade. A diversidade de temperamentos, de caracteres, de fisionomias espirituais, é, muitas vezes, uma ocasião de sofrimentos salutares, mas também, ai de nós, de falta de caridade, de irritação, de impaciência, de julgamentos temerários. Na nossa estreiteza, gostaríamos, às vezes, que todas as almas fossem absolutamente iguais, tivessem o mesmo atrativo dominante que nós. Graças a Deus, isto não é assim. A harmonia da Igreja, inclusive a das Ordens Religiosas e mesmo das comunidades, exigem uma certa diversidade. Nesta vasta planície fértil que é a Igreja se elevam várias colinas, do alto das quais se vê como que com os olhos de um S. Bento, ou de um S. Domingos ou de um S. Francisco, ou de um S. Inácio, ou de uma Santa Teresa. “Existem várias moradas na casa de meu Pai.” disse Nosso Senhor.
 
Para nos esclarecer sobre esse ponto, convém considerar as diferentes formas de santidade que respondem a atrativos dominantes diversos e a provações diferentes.
 
Cada uma dessas fisionomias espirituais tem a sua grandeza e a sua beleza.
 
Foi observado várias vezes que a santidade aparece sob três formas bem distintas, que correspondem a três graças predominantes, e que tendem a se aproximar, como os caminhos que, por vertentes opostas, conduzem ao cume de uma montanha. Estas três formas de santidade, como veremos, são eminentemente contidas na Santa alma de Cristo e em Maria.
 
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A santidade aparece sob três formas bem distintas que respondem aos três grandes deveres para com Deus: o conhecê-lo, amá-lo, servi-lo. Todo cristão, sem dúvida, deve observar cada um desses três deveres; mas, no corpo místico, este deve sobressair em tal função e aquele em tal outra.
 
Existem almas santas que têm por missão sobretudo amar a Deus com ardente amor e reparar assim as ofensas de que Ele é objeto; elas recebem logo graças de amor que transformam suas vontades e fazem delas uma força viva que não cessa de se consumir para glória de Deus e salvação do próximo.
 
Outras almas devem sobressair na contemplação de Deus, conhecê-lo, mostrar-nos o caminho que leva a Ele; elas recebem desde o início graças de luz, que clareiam cada vez mais suas inteligências e são como um farol para guiar os fiéis na sua viagem para a eternidade.
 
Enfim, outras almas santas têm sobretudo por missão servir a Deus pela fidelidade ao dever quotidiano, em diferentes obras de caridade; aqui, a memória e a atividade prática são postas incessantemente, sob o influxo das virtudes teologais, ao serviço de Deus e do próximo.
 
Contemplemos sucessivamente essas três formas de santidade, que parecem representadas, como já se disse várias vezes, em três apóstolos privilegiados que Nosso Senhor conduziu ao Thabor, depois a Gethsemani: Pedro, João e Tiago.
 
Cada uma dessas almas sobressai naturalmente no exercício de uma faculdade e, como a graça aperfeiçoa a natureza no que ela tem de bom, ela apreende mais diretamente e mais vivamente esta faculdade, para se espalhar em seguida sobre as outras que são menos ativas. A graça utiliza assim, para nossa perfeição e nossa salvação, os recursos da nossa natureza e constitui nosso atrativo sobrenatural especial, que devemos sempre seguir, pois é o atrativo de Deus (Suma Ia. IIae., q. 66, a. 2 ad 2). Mas, em compensação, cada uma dessas almas tem seu defeito dominante a vencer, um obstáculo especial a evitar e é por isto que o Senhor envia a cada uma, provações apropriadas.
 
Os diretores esclarecidos reconhecem nas almas o atrativo sobrenatural especial que Deus lhes dá e também o defeito dominante a combater. É conveniente conhecer um e outro, o branco e o preto, para compreender a natureza das provações que Deus nos envia, para melhor aproveitá-las e para evitar o julgamento temerário de outras almas que vão em direção ao mesmo cume mas por uma outra vertente. Aqueles que são naturalmente mansos, devem tornar-se fortes, e aqueles que são naturalmente fortes devem tornar-se doces. “Alius sic, alius sic ibat“, dizia Santo Agostinho; existem caminhos diferentes que conduzem ao mesmo fim, e numa mesma estrada pode-se andar mais devagar que um outro, sem entretanto, voltar atrás. Os caracteres não têm sua causa nas diferenças de organismos como acontece com os temperamentos.
 
O Senhor, na formação das almas, encontra um modo de tudo utilizar. Ele não toma a alma de um homem de ação, devorado pelo zelo, de um missionário, como a de um teólogo; de um santo Tomás, como a de um pintor; de um Angélico, de um poeta como Dante, de um músico como Beethoven; mas Ele faz tudo servir à expressão da Fé, da Esperança e da Caridade. Ele faz servir, no trato com um teólogo, a lógica de Aristóteles; no trato com um artista, as harmonias bem feitas de sons e de cores. E, em última análise, tudo, na ordem intelectual e na ordem sensível, só vale como expressão das perfeições divinas. Existem diferentes vertentes para se elevar em direção a este cume, mas nada pode nos interessar de uma maneira profunda e duradoura senão aquilo que a ele nos conduz. O ofício da festa de Todos os Santos faz notar admiravelmente todas as nuances da Santidade, entre os Apóstolos, os Mártires, os Doutores, os Confessores, as Virgens.
 
As almas nas quais domina o exercício da vontade e o ardor do amor, se assemelham aos Serafins (Is 6, 2-7). Segundo a Revelação, estes anjos superiores são abrasados pelo amor que o Espírito Santo lhes comunica; este é o amor que os leva a contemplar as sublimes belezas de Deus. Sua chama espiritual é mais ardente que luminosa. Eles cantam o cântico: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor, Deus dos exércitos!” (Is 6, 3). Eles constituem a ordem suprema da primeira hierarquia angélica, porque, naqueles que tendem em direção a Deus, a mais alta virtude é a caridade, ou o amor divino, incompatível, ao contrário da ciência, com o pecado mortal (Suma Ia. IIae., q. 63, a. 7, ad 1; a. 9, ad 3).
 
Do mesmo modo, as almas ardentes são arrebatadas antes de tudo por graças de amor; elas se dirigem ao bem com zelo e firmeza e se perguntam muitas vezes: “O que eu farei para Deus?”. Elas têm uma sede ardente de sofrer, de se mortificar, para provar a Deus seu amor, de reparar as ofensas das quais Ele é objeto, de salvar os pecadores. Só secundariamente elas se aplicam a melhor conhecer Deus.
 
Deste grupo de almas parecem fazer parte o profeta Elias, “cheio de zelo pelo Senhor” (3 Rs 19, 10), o apóstolo Pedro crucificado de cabeça para baixo por humildade e amor por seu Mestre, os grandes mártires: Santo Inácio de Antioquia, São Lourenço, o seráfico Francisco de Assis, Santa Margarida Maria levada desde a sua juventude a sofrer por amor em espírito de reparação, São Bento-José Labre, este amigo apaixonado da Cruz. Do mesmo modo, no apostolado e devotamento ao próximo, São Carlos Borromeu, São Vicente de Paulo e tantos outros.
 
Todas essas almas são mais notáveis pela sua caridade, pelo arrebatamento de seu coração para Deus, do que pelas suas luzes.
 
Para as almas desse gênero que não fossem suficientemente dóceis ao Espírito Santo, o perigo estaria na própria energia de sua vontade, que poderia degenerar em rigidez, tenacidade e obstinação. Nas menos fervorosas dentre elas, é um defeito dominante bastante visível: seu zelo não é suficientemente esclarecido, nem bastante paciente e doce. Algumas delas podem se entregar demais a obras ativas às custas da oração.
 
A provação que o Senhor lhes envia tende sobretudo a amansar sua vontade, muitas vezes a quebrá-la, quando ela se torna rígida demais. Ele permite revezes manifestos, para que o ardor natural seja substituído por um zelo verdadeiramente sobrenatural, desinteressado, paciente e manso. Ele lhes ensina a por sua confiança não no impulso natural do coração, mas na Misericórdia divina sempre compassiva. O Senhor humilha essas almas ardentes, permitindo também, algumas vezes, violentas tentações, mesmo de desânimo, como aconteceu com Elias, dormindo no deserto sob um junípero (3 Rs 19, 4). Ele permite também quedas como a negação de São Pedro.
 
Ele envia ainda a essas almas grande aridez numa contemplação dolorosa mas amorosa e muito meritória. Seus amores ardentes queimam-nas, consomem e as fazem muito sofrer com todas as ofensas que se elevam contra Deus. Ele as estimula a expiar ou a reparar.
 
Assim se formam as almas mais ardentes que luminosas, nas quais domina o zelo ardente da caridade, a mais alta das virtudes teologais.
 
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Num segundo grupo de almas, predomina o exercício, não da vontade, mas da inteligência. A graça que começa mais diretamente e mais vivamente a elevá-las é uma graça de luz. Elas se assemelham aos Querubins, que estão, dizem os profetas, em torno do trono de Deus (Dn 3, 55). Esses anjos, admiravelmente esclarecidos pela luz que lhes comunica o Verbo Eterno, são, primeiro, arrebatados de admiração. Eles contemplam a beleza de Deus e são levados a amá-Lo e a fazê-Lo conhecido pelos outros (Suma Ia., q. 63, a. 7, ad 1). Sua chama espiritual é, a princípio, mais luminosa que ardente.
 
Do mesmo modo, essas almas são, inicialmente, esclarecidas por graças de iluminação; elas são levadas a se deleitar na contemplação de Deus, nas grandes visões de conjunto que fazem o valor da sabedoria. É somente por via de conseqüência que seu amor cresce. Elas sentem menos que as precedentes a necessidade de agir, de se mortificar, de sofrer para reparar; mas elas são fiéis, chegam ao amor heróico por esse Deus que as encanta.
 
A esta família de almas pertencem os grandes Doutores da Igreja, um Sto. Agostinho, um Sto. Anselmo, um Sto. Alberto, o Grande, um Santo Tomás de Aquino, muitos outros que, ao correr dos séculos, foram como faróis que mostraram à humanidade o caminho que leva a Deus.
 
O perigo para essas almas, quando são menos perfeitas, é, muitas vezes, de se contentar com luzes que lhes são dadas e de não conformarem bastante suas vidas com estas luzes. Enquanto sua inteligência é fortemente esclarecida, em sua vontade, muitas vezes, falta ardor; São Francisco de Sales gemia por isso, pedindo graças de força.
 
Não é raro que grandes provações interiores sejam enviadas a essas almas. A noite dos sentidos e a do espírito, descritas por São João da Cruz, as conduzem progressivamente ao desinteresse completo e à generosidade no amor. Estas provações interiores são, no entanto, habitualmente menos dolorosas para essas almas que para as precedentes. As luzes que elas recebem consolam-nas, elas têm uma atração maior pela oração contemplativa; mas têm bastante tempo que gemer por sua falta de energia. Seu amor pela verdade faz com que elas sofram particularmente com o erro, com as falsas direções doutrinais, que extraviam as inteligências. Isto é para elas uma grande cruz e um estímulo para trabalhar para fazer conhecer a Deus.
 
Quando essas almas luminosas são purificadas pelo sofrimento e bem fiéis às luzes que Deus lhes envia, elas aspiram cada vez mais a se unir a Ele, a mergulhar Nele, a se perder Nele sem retorno a elas mesmas. Uma alma luminosa fiel será mais unida a Deus que uma alma ardente infiel.
 
Existem grandes santos, como São Paulo, São João, S. Bento. S. Domingos, Sta. Gertrudes, Sta. Catarina de Sena, Sta. Teresa, S. João da Cruz, que foram ao mesmo tempo e desde o início de sua ascensão, muito contemplativos e muito ardentes; elas reuniram logo as qualidades desses dois primeiros grupos de almas, que tendem, aliás, a se assemelhar ao se aproximarem do cume, para o qual todos devem se encaminhar.
 
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Enfim, existem almas que têm, sobretudo, por missão servir a Deus pela fidelidade ao dever quotidiano. A faculdade que mais se exerce entre elas, é a memória; sua atividade é de ordem prática. É o caso da maior parte dos cristãos. Sua memória os torna atentos aos fatos particulares; eles são tocados pela história dos benefícios de Deus, seja no Antigo Testamento, seja no Evangelho e na vida da Igreja. Essas almas são facilmente tocadas por uma palavra da liturgia, um traço de vida de um santo. A graça se adapta à sua natureza e lhes mostra claramente, nas suas múltiplas ocupações, o dever a cumprir, Deus a glorificar, o próximo a socorrer.
 
A inspiração divina lhes dá mais raramente grandes visões de conjunto, mas ela os torna muito atentos aos diversos meios de perfeição. Por aí, essas almas, se são fiéis e generosas, chegam a um conhecimento muito prático e vivido das coisas divinas e a um grande amor de Deus e do próximo. Elas podem assim alcançar os mais altos graus da santidade.
 
O obstáculo aqui seria o de se apegar demais às práticas, boas nelas mesmas, mas que não conduzem imediatamente a Deus; a certas austeridades exteriores ou orações vocais. Corre-se o risco então de cair na minúcia, nos escrúpulos, de se apegar sem medida a métodos, úteis no início, mas um pouco mecânicos demais; e isto pode impedir a intimidade da união com o Senhor.
 
As provações dessas almas se encontram geralmente menos na vida interior que na prática da caridade fraterna e no exercício de seu devotamento. Elas têm muito a sofrer com defeitos do próximo e com os obstáculos que encontram nas obras em que se ocupam. As grandes purificações interiores aparecem nelas notavelmente mais tarde que nas almas precedentes; no entanto, se elas são generosas, chegam, elas também, a uma íntima união com Deus.
 
Tais são as três formas de santidade que parecem manifestadas pelos três apóstolos privilegiados, Pedro, João e Tiago, que Nosso Senhor conduziu com Ele ao Thabor e depois a Gethsemani. Todas essas almas são chamadas, por formas variadas, à contemplação dos mistérios da fé e à união íntima com Deus, e quanto mais elas se aproximam do cume para o qual tendem, mais se assemelham, mais são marcadas pela imagem do Cristo, sem perder no entanto sua fisionomia especial.
 
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A santa alma de Cristo, contém eminentemente essas três formas de santidade, sem nenhuma das imperfeições que subsistem nos santos, um pouco como a luz branca contém as setes cores do arco-íris. É, com efeito, impossível conhecer melhor Deus, amá-Lo melhor, servi-Lo melhor que Jesus.
 
Jesus quis nos mostrar a excelência dessas três formas de santidade nos três períodos de sua existência aqui em baixo: sua vida escondida, sua vida apostólica, sua vida dolorosa.
 
Na sua vida escondida, na solidão de Nazaré, na casa do carpinteiro, Ele é o exemplo da fidelidade ao dever quotidiano, em atos exteriormente bem modestos, mas enormes pelo amor que os inspira e até de um valor sem medida.
 
Na sua vida apostólica, Ele aparece como a luz do mundo, e Ele nos diz que aqueles que O seguem não andam nas trevas, mas receberão a luz da vida (Jo 8, 12).  O que Ele ensina sobre a vida eterna e os meios para alcançá-la, Ele não o crê, Ele o vê imediatamente na essência divina. Ele funda a Igreja, confia-a a Pedro e diz a seus Apóstolos: “Vós sois a luz do mundo”. (Mt 5, 4); envia-os a ensinar a todas as nações, levar-lhes o batismo e a Eucaristia.
 
Enfim, na sua vida dolorosa, Jesus nos manifesta todo o ardor de seu amor por seu Pai e por nós. Este amor leva-O até a querer morrer por nós sobre a cruz. Ele tem sede de sofrer para reparar os ultrajes feitos a Deus, para salvar as almas, e consumar a obra redentora. Esta sede de sofrer é incomparavelmente maior Nele que em um Santo André, um Santo Ignácio de Antioquia, um São Lourenço, uma Santa Teresa, um São Bento-José Labre. O coração de Jesus é verdadeiramente uma fornalha ardente de Caridade. Ninguém mais que Ele sofreu pelos pecados, e é de seu Coração mortificado que derivam todas as graças que recebem as almas reparadoras, associadas ao grande mistério da Redenção.
 
Jesus possui assim eminentemente as três formas de santidade e sem nenhuma imperfeição. Ele é atento mesmo às menores coisas do serviço de Deus, sem nelas demorar-se. Ele goza da mais alta contemplação, mas não se perde nela como um santo em êxtase; Jesus está acima do êxtase e sem cessar de ver as profundezas da essência divina, Ele se entretém com seus Apóstolos sobre os próprios detalhes da vida apostólica. Ele tem todo o ardor de amor, o mais forte zelo, mas unido à maior paciência, à doçura, à compaixão, o que O leva a rezar por seus carrascos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
 
A santa alma de Cristo se manifesta assim por seus reflexos na alma dos santos, como a luz branca pelas sete cores. Há, toda proporção guardada, qualquer coisa de semelhante em Maria, que reunia também em si, eminentemente, todas as formas de santidade.
 
Não diminuamos a vida do Salvador, querendo explicá-la demais pela nossa psicologia pessoal. Assim, se propôs ao mundo um Cristo jansenista e em seguida, por reação, um Cristo liberal. Elevemo-nos para Ele, ao invés de rebaixá-Lo a nós; Ele está incomparavelmente acima de nossos sentimentos mais generosos e Ele não tem ilusões. Muito superior aos maiores santos, Ele permanece, apesar de sua elevação, nosso perfeito modelo e nos oferece, incessantemente, a graça para nos dar a força de O seguir.
 
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Os mistérios da vida de Cristo devem, em certo sentido, reproduzir-se em nós, na medida em que o Salvador quer nos assimilar a Ele e nos fazer participar da sua vida escondida, da sua vida apostólica, da sua vida dolorosa, finalmente da sua vida gloriosa no céu. Esta assimilação progressiva é muito visível na vida de vários santos. E, se nós o quisermos, a meditação quotidiana dos mistérios do Rosário pode fazer-nos avançar, com passo sempre mais firme, nessa via.
 
Os mistérios gozosos da infância de Cristo, os mistérios dolorosos de sua Paixão, e os mistérios gloriosos da Ressurreição, da Ascensão, correspondem aos 3 grandes atos da vida das almas: — Querer o fim último, a santidade e a bem-aventurança eterna, cujo pensamento suscita a alegria e os primeiros impulsos da alma para Deus; — Querer os meios capazes de nos fazer obter este fim, o cumprimento dos preceitos, levando a cruz, a exemplo do Mestre e para segui-Lo; — Repousar com Ele no fim conquistado.
 
Esses mistérios da vida de Cristo devem tornar-se assim, cada vez mais, o alimento da nossa alma, o objeto de nossa contemplação que os penetrará, os provará e os saboreará; isto será como que uma antecipação da bem-aventurança; nós perceberemos cada vez melhor que a graça santificante é o germe da glória, semen gloriae inchoatio vitae aeternae (Suma IIa. IIae, q. 24, a. 3, ad. 2), que a vida cristã profunda é a vida eterna começada, segundo a palavra do Salvador, que reaparece várias vezes em S. João: “Em verdade, em verdade, vos digo: Aquele que crê em mim tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40, 44, 47, 55).
 
 
Pe. Garrigou-Lagrange
 
 
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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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