Meditações para todos os dias da semana

Sem a meditação o homem não se exercita na oração, na súplica, e no amor a Deus. Para isto, propomos um roteiro de meditação diária que nos ajudará a refletirmos no nosso verdadeiro seguimento a Jesus Cristo.

A meditação no Senhor compreende três partes: preparação, consideração e conclusão.

1. Preparação

Nos preparamos para meditação recitando os Atos de Fé e de Contrição.

Ato de Fé

Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas, realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo, que dá o céu aos bons e o inferno aos maus, para sempre. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar, e que ao terceiro dia ressuscitou. Creio tudo o mais que crê e ensina a SAnta Igreja Católica, Apostólica, Romana, porque Deus, verdade infalível, lho revelou. E nesta crença quero viver e morrer. Amém

***

Ato de Contrição

Senhor, eu me arrependo sinceramente de todo mal que pratiquei e do bem que deixei de fazer. Pecando, eu vos ofendi, meu Deus e sumo bem, digno de ser amado sobre todas as coisas. Prometo firmemente, ajudado com a vossa graça, fazer penitência e fugir às ocasiões de pecar. Senhor, tende piedade de mim, pelos méritos da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.

 ***

Pedimos, então, a Deus, luz e força para nossa vida.

2. Considerações

Fazemos as leituras do dia, meditando no Senhor.

Praticamos o exercício de entendimento, procurando distinguir quais as conclusões práticas tiramos da leitura, como o que devemos fazer para o futuro, quais impedimentos que devemos remover da nossa mente e do nosso coração…

Tomamos, ao final, resoluções e fazemos própositos verdadeiros de mudança de vida.

Pedimos as graças a Deus e suplicamos o perdão e a força para vencer as dificuldades.

3. Conclusão

Agradecimento e pedido de perdão.

Pedidos à Nossa Senhora e aos Santos.

Pedimos também pelos irmãos que estão no pecado, pois muito se condenam porque faltam quem implore a Deus por eles.

***

Seguem, abaixo, os textos para as leituras e meditações diárias:

I. Para o domingo

Do fim do homem

Considera, minha alma, que o ser que tens, te foi dado por Deus, quando te criou à sua imagem, sem nenhum merecimento teu; adotou-te por filho no santo batismo, amou-te ainda mais do que um pai, e criou-te para que o amasse e servisse nesta vida, para depois o paraíso. Não nascestes, portanto, nem deves viver parar a terra, para juntar riquezas e ser poderoso, nem para comer, beber e dormir, como os brutos, mas só para amares ao teu Deus e te salvares eternamente. E as coisas criadas deu-te o Senhor para te ajudar a conseguir o teu grande fim.

Ah! Infeliz de mim, que tenho passado a vida a pensar e cuidar de muitas coisas, menos do meu fim! Meu Deus, Pai de misericórdia, fazei que eu comece uma vida nova, toda santa e conforme a vossa vontade.

Considera como, na hora da morte, hás de sentir grandes remorsos de não teres aplicado a servir a Deus. Que pena para ti, quando, no termo da tua vida, advertires que já te não resta mais naquela hora todas as grandezas, glórias e prazeres, senão amargosíssima recordação! Então hás de espantar-te de, por vaidades e bagatelas, teres perdido a graça de Deus e a tua alma sem já teres tempo de repares o mal feito e de te pores no bom caminho. Então é que hás de conhecer s preciosidade do tempo, mas já será tarde; quererias comprá-lo com sangue, mas não o poderás fazer. Oh! Desespero! Oh! Tormento! Oh! Dia amargo para quem não serviu a e amou seu Deus.

Considera ainda quanto é geralmente descurado este grande fim. Pensa-se em comer, em folgar, em passar os dias em prazeres e divertimentos, e não se pensa em servir a Deus e salvara a alma, e tem-se em pouca coisa o eterno fim para que fomos criados. E por este modo a maior parte dos cristãos vai caminhando para o inferno banqueteando-se, cantando e dançando. Oh! se eles soubessem o que quer dizer o inferno! Oh! Homem, fazes tanto para te condenar, e nada fazes para te salvar!

Estava a expirar um secretário do rei Francisco, rei da França, e dizia: Desgraçado de mim! Gastei tanto papel em escrever cartas do meu príncipe, e não tive uma folha para recordar-me dos meus pecados e fazer uma boa confissão! Filipe III, rei da Espanha, dizia quando estava moribundo: Oh!, não tivera eu nunca sido rei!

Porém, de que servem estes suspiros e estas lamentações? Servem para maior desespero. Aprende tu, à custa dos outros, a viver solicito da tua salvação, se não queres cair na mesma desgraça. E, sabe que quanto fazes, dizes e pensas fora do que é do agrado de Deus, tudo é perdido. Vamos, pois, já é tempo de mudares de vida. Queres esperar pelo dia da morte para te desenganares? A porta da eternidade, sobre o limiar do inferno, quando já não há tempo para emendar o erro?

Meu Deus, perdoai-me. Eu vos amo mais que tudo.

Eu me arrependo de vos ter ofendido, e protesto daqui em diante mar-vos e servir-vos com todo o meu coração e com toda a firmeza de minha vontade, auxiliado pela vossa graça.

Fruto:

Quando fores tentado, levanta os olhos ao céu, implora o socorro divino e diz: Quero salvar-me. São Luiz quando ouvia falar em coisas temporais, dizia: E de que serve isto para a eternidade?

Se não serve para a eternidade, importa pouco.

Considera bem que tudo acaba, e a eternidade nunca acabará… Minha alma, que eternidade será a tua? O céu ou o inferno?

***

II. Para a segunda-feira

Do pecado mortal

Considera como, sendo tu criado por Deus para amar, com ingratidão infernal te rebelastes contra ele, trataste-o como inimigo, desprezastes a sua graça e a sua amizade. Sabias que lhe davas um grande desgosto com a aquele pecado, e ainda assim o cometestes. Quem peca, que faz? Volta as costas a Deus, perde-lhe o respeito, levanta a mão para dar-lhe uma bofetada, aflige o coração de Deus: Et afflixerunt Spiritum Sanctum eius. Quem peca diz a Deus com suas obras: afasta-te de mim, não quero obedecer, não quero servir-te, não quero reconhecer-te por meu Senhor, não quero ter-te por meu Deus: o meu deus é este prazer, este interesse, esta vingança.

Assim o disssestes no teu coração, quando preferistes a criatura ao teu Deus. Santa Maria Madalena Pazzi não podia compreender como um cristão, a olhos abertos, pudesse cometer um pecado mortal. E tu, que nisto meditas, que dizes? Quantos pecados, tens tu cometido? Meu Deus perdoai-me, tende piedade de mim. Ofendi-vos, Bondade Infinita: agora odeio os meus pecados, amo-vos, e arrependo-me de vos ter ofendido tanto, o meu Deus, que sois digno de infinito amor.

Considera como Deus te dizia, quando pecavas: Filho, eu sou o Deus que te criei do nada e que te resgatei com o meu sangue; proíbo-te de cometeres este pecado sob pena de te separares da minha graça. Porém tu, pecando, dissestes a Deus: Senhor quero satisfazer este gosto e não me importa desagradar-vos e perder a vossa graça. Dixisti: non serviam. Ah, meu Deus, e eu tenho feito isto tantas vezes! Como me tendes suportado? Quem me dera ter antes morrido do que vos ter ofendido! Eu não quero mais desgostar-vos; quero amar-vos, ó Bondade infinita. Concedei-me o dom da perseverança e vosso santo amor.

Considera como Deus, segundo os seus imperscrutáveis decretos, não costuma suportar em todos um igual número de pecados, nas a uns tolera mais, a outros menos, e quando está cheia aquela medida, lança mão de terribilíssimos castigos. E, com efeito, tantas vezes sucedi vir a morte tão improvisamente, que o pecador não tem tempo de se preparar! Quantos morrem na própria ocasião de pecado! Quantas vezes uma pessoa se deitou no leito com boa saúde, e de manhã apareceu um frio cadáver! Quantos outros, à força de cometerem pecados sobre pecados, de tal modo se cegaram e endureceram, que, tendo todos os meios para se prepararem para uma boa morte, não querem se aproveitar deles, e morrem impenitentes! Enquanto o pecador vive, pode,se o quer deveras, converter-se com o divino auxílio; porém muitas vezes os pecados o tornam tão obstinados, que não desperta nem sequer na hora da morte. E assim se tem perdido tantos… E estes também esperavam que Deus lhes perdoasse, mas veio a morte, e condenaram-se… Teme que te aconteça o mesmo.Não merece misericórdia aquele que quer servir-se da bondade de Deus para ofendê-lo. Depois de tantos e tão graves pecados que Deus te perdoou, deves ter bem fundado temor de que te não perdoe qualquer outro pecado mortal que cometas.

Dá-lhe graças de te ter esperado até agora, e toma neste ponto uma resolução de antes morrer do que cometer outro pecado.De hoje em diante repetirás sempre: Senhor, bastam as ofensas que tenho cometido até agora. A vida que me resta não quero passá-la a ofender-vos; não, que vós não o mereceis; quero passá-la só a amar-vos e a chorar as ofensas que tenho feito. Arrependo-me de todo o meu coração. Meu Jesus, quero amar-vos, daí-me força; Maria, minha Mãe, ajudai-me.

Fruto:

Medita sobre estas palavras: sempre, nunca, eternidade.

O inferno dura sempre, a eternidade não acaba nunca. Toma um punhado de cinzas ou de areia lá contigo: Quando tiveres passado tantos milhões de séculos quantos são estes pequeninos grãos, não terá passado da eternidade um só momento. Quando puderes, considera, que grande mal seria este ou aquele trabalho, se não acabasse nunca, e não há dúvida que as penas do inferno nunca acabarão. Considera bem isto.

***

III. Para a terça-feira

Da morte

Considera como há de acabar esta vida. Já está decretada a sentença: hás de morrer. A morte é certa, mas não se sabe quando virá. Que é preciso para morrer?

Qualquer coisa bvasta para te tirar a vida. A morte virá assaltar-te quando menos o pensares.

Quantos a noite tem ido deitar-se, e pela manhã aparecem mortos! E não pode acontecer o mesmo a ti? Muitos tem morrido repentinamente; não pensavam em morrer assim, mas morreram, e se estavam em pecado, onde estarão por toda a eternidade?

Mas seja como for, é certo que há de chegar um tempo em que paar ti se fará noite e não se fará nmais dia, ou verás o dia e não verás a noite. Virei como um ladrão de emboscada e despercebido, diz Jesus Cristo. O bom Senhor avisa-te porque deseja ardentemente a tua salvação. Corresponde aos avisos de Deus e aproveita-te deles; prepara-te para morrer antes que chegue a morte. Estote parati.

Então não será tempo de te preparares.è certo que hás de morrer, há de acabar para ti a cena deste mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano, um mês, e se amanhã ainda estarás vivo? Oh meu Jesus, perdoai-me.

Considera como na hora da morte, te acharas estendido no leito, assistido do sacerdote que estará rezando o ofício da agonia, dos parentes próximos.

Tudo deixarás quando morreres; e, pobre e nu, serás atirado em uma cova onde apodrecerás.Aqui os vermes te roerão todas as carnes, de ti só restarão alguns ossos descarnados e um pouco de pó gélido e nada mais. Abre uma cova e vê a que está reduzido aquele ricaço, aquele avarento, aquela mulher vaidosa e sem pudor.

É assim que acaba a vida. Na hora da morte ver-te-as cercado de demônios, que te apresentarão diante dos olhos os pecados que cometestes desde criança.

Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas dizendo-te, que não é grande pecado aquela vaidade, aquele prazer, aquelas intimidades, aquele ódio.

Dizendo que tenha vergonha de confessar teus pecados ao padre, que desobedeça a ordem dada por Cristo, que apenas se arrependa e pronto.

Porém a morte patenteará a gravidade do teu pecado, e à luz da eternidade, onde estarias próximo a entrar, conhecerás o grande mal que fizestes quando ofendestes um Deus infinito.

Depressa, remedeia agora, enquanto é tempo, o mal que então será irremediável.

Agora tens tempo de dizer: Meu Deus, iluminai-me e fortalecei-me com a vossa graça.

Que tenhas não medo da morte, pois isto não adianta nada, os medrosos não se tornam imortais, mas tenha horror do pecado pois é uma ofensa infinita a Deus e custou o Sangue de Cristo cada um dos teus pecados.

De que vale conservar um ódio um rancor, uma inimizade? Um comentário, uma palavra maldosa pode as vezes custar a muito a ti e a outros.

Ah! Senhor! Eis-me aqui; desde este momento eu me converto para vós, não quero esperar pela hora da morte; desde já vos amo e vos abraço, e abraçado convosco quero morrer – Maria, minha Mãe, alcançai-me a graça de morrer sob vosso manto, ajudai-me naquele momento.

Fruto:

Pensa na vida eterna, procura fazer um exame de consciência, lembra-te que, se consentes em algum pecado, te fazes réu da morte eterna, em um momento perdes todos os merecimentos que tiveres adquirido.

Para não caíres pede a Deus força, e foge até da mais pequena ocasião de pecado, quando vier a tentação, encomenda-te a Jesus e Maria dizendo:

Meu Jesus, misericórdia!

Doce coração de Maria sede minha salvação; valei-me acudi-me!

Dize isto muitas vezes “antes morrer do que pecar”.

***

IV. Para a quarta-feira

Do juízo final

Considera como, apenas saída a alma do corpo, se apresentará ao tribunal de Deus para ser julgada.

O juiz é um Deus onipotente que tu ultrajaste, e sumamente indignado; os acusadores são os demônios, teus inimigos, o processo são os teus pecados; a sentença é inalterável, a pena é um inferno. Ali já não terás companheiros, nem parentes, nem amigos: tens de haver-te somente com Deus; então é que hás de conhecer a deformidade dos teus pecados de pensamentos, omissão e de escândalo: tudo será pesado nesta exata balança da divina justiça; e por uma só coisa em que fores encontrado em falta grave, ficará perdido.

Meu Jesus, meu juiz, perdoa-me antes de me chamardes ao juízo!

Considera como a divina justiça deverá julgar todas as gentes no vale de Josafá, quando no fim do mundo os corpos ressuscitarem, para receberem, já unidos com as suas almas, o prêmio ou o castigo, segundo as suas boas ou más obras. Considera como, condenando-te, retomarás este teu corpo que servirá para a eterna prisão da alma desgraçada. Naquele amargosíssimo encontro, a alma amaldiçoará o corpo, e o corpo amaldiçoará a alma: de maneira que a alma, e o corpo, que agora se combinam em buscar prazeres proibidos, se unirão por força para serem algozes de si próprios. Pelo contrário, se te salvas, o teu corpo ressuscitará belo, impassível, resplandescente, e, tanto na alma como no corpo, te tornarás digno da vida bem-aventurada. E assim acabará a cena deste mundo.

Acabarão então todas as grandezas, os prazeres, as pompas deste mundo: tudo desaparecerá como um sonho. Só restarão duas eternidades: uma de glória e outra infeliz; uma de delícias, outra de dores. Os justos no paraíso, os pecadores no inferno. Desgraçado será então quem tiver amado o mundo, por miseráveis gostos desta terra, tiver perdido tudo; a alma, o corpo, o paraíso e a Deus.

Considera a eterna sentença; Cristo Juiz se voltará contra os réprobos e lhes dirá: Terminou-se o tempo do ultraje, o vosso tempo! Agora chegou a minha hora, hora de verdade e de justiça, hora de indignação e de vingança. Sim, malvados, amastes a maldição: venha ela sobre vós, sede malditos no tempo, malditos na eternidade. Apartai-vos de mim, ide, despojados de todo o bem, carregados de todas as penas, para o fogo eterno!

Jesus se voltará em seguida para os escolhidos, e dirá: Vinde vós, meus filhos benditos, vinde possuir o reino dos céus que vos está preparado. Vinde, não para carregar após mim a cruz, mas para receber a recompensa. Vinde ser herdeiros das minhas riquezas, companheiros da minha glória; vinde cantar eternamente as minas misericórdias, vinde do desterro para a pátria, vinde das misericórdias para o júbilo, vinde das lágrimas para o gozo, vinde das penas para o repouso eterno: Venite, benedicti Patris mei, possidete paratum vobis regnum!

Meu Jesus, espero também ser um destes bem-aventurados. Amo-vos sobre todas as coisas. – Abençoai-me vós também, Maria, minha querida Mãe.

Fruto:

Para ter uma boa morte, é necessário ter uma boa vida: começa ao menos agora a amar a Deus; sê devoto da Paixão de Jesus Cristo; ama a Maria Santíssima e pede-lhe, sem cessar, uma boa morte. Repete de contínuo, considerando: Ó momento do qual depende a minha eternidade! Momento que daqui a pouco hei de passar! Momento que, errado uma vez, não terá jamais remédio! – Quando vais à noite recolher-te, lembra-te que hás de morrer; deita-te como estão os defuntos na tumba: estende os pés e cruza as mãos. Medita seriamente, e dize: “Quem sabe se esta noite me acharei na eternidade? Pode muito bem ser; a inumeráveis tem isto acontecido. Ó Deus meu, iluminai-me”.

***

V. Para a quinta-feira

Do inferno

Considera como o inferno é uma prisão miserabilíssima, cheia de fogo, onde estão submergidos os condenados, tendo um abismo de fogo fora e dentro deles, fogo nos olhos, fogo na boca, fogo por todos os lados. Cada um de seus sentidos sobre uma pena especial. Os olhos cegados pelo fumo, pelas trevas, e aterrados com a vista de outros condenados e dos demônios. Os ouvidos escutam dia e noite urros contínuos, gemidos de dor e blasfêmias terríveis. O olfato sofre com o mau cheiro dos corpos inumeráveis que ali jazem. O gosto é atormentado por uma sede ardentíssima, sem poder jamais saborear uma gota de água, nem um pedaço de pão.Todos os sofrimentos eternamente, o ódio como companhia e muito distante de Deus e da Santíssima Virgem.

Considera, pois que o condenado se joga ao inferno por livre escolha, quando se apresenta no santo tribunal e vê Deus e toda a sua plenitude e bondade, tenta fugir e recusa a misericórdia divina, peca contra o Espírito Santo, não acredita no perdão de Deus, porque nunca procurou na verdade o perdão, e por livre escolha se afasta de Deus eternamente, esta é a obstinação do pecador.

Considera pois, a pena que sofrerão as potências da alma. A memória será atormentada pelo remorso da consciência. O remorso é aquele bicho que sempre está roendo o condenado, ao pensar que se condenou por sua culpa voluntária, por causa de alguns poucos prazeres envenenados. Oh meu Deus! Como lhe aparecerão então aqueles momentos de prazer depois de cem, de mil milhões de anos no inferno?

Este bicho do remorso lhe recordará o tempo que Deus lhe deu para cuidar da eterna salvação de sua alma, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos e não cumpridos.

Oh! Meu Deus, perdoai-me por amor de Jesus Cristo, e tende piedade dos meus irmãos que estão no pecado.

Animo pois pecador, penitência, penitência penitência, entrega teu coração à Deus. Suplica a Jesus, implora o patrocínio de Maria, para que tenham piedade de ti.

Pede pelos irmãos que estão no pecado, pois muito se condenam porque faltam quem reze por eles.

Fruto:

Para que não sejas julgado por Deus e condenado, julga-te a ti mesmo agora e condena-te a ti mesmo e acusa-te de pecador e réu de mil infernos; mas aflições e nos trabalhos da vida, confessa que mereces muito mais que tudo é pouco em consideração dos teus crimes; não cales os teus pecados na confissão; nem os diminua, nem te desculpes.

Faze uma confissão geral com verdadeira dor e firme resolução de mudar de vida. Jejua, alguma vez na semana, ou pratica alguma abstinência; faze bem as pobres, podendo não deixe de fazer ao menos meia hora de oração ao dia. Quando sentires aversão e tédio em te mortificar ou rezar, lembra-te que teu corpo há de ressucitar um dia glorioso, e juntamente com tua alma estará na bem-aventurança eterna, no paraíso onde é o lugar que Deus quer que você esteja.Vive como se todas as noite tivesses de comparecer diante do tribunal de Deus para seres julgado.

***

VI. Para a sexta-feira

Da crucifixão e morte de Jesus

Eis-nos no Calvário, feito palco do divino amor, onde um Deus morre por nós num mar de dores.

Apenas Jesus ali chegou, arrancaram-lhe com violência os vestidos, que estavam colados as suas carnes despedaçadas, e deitaram-no sobre a cruz.

Ò Cordeiro divino estende-se sobre aquele leito de morte, apresenta as mãos aos algozes, e ao Eterno Pai oferece o grande sacrifício de sua vida pela salvação dos homens.

Eis que o pregaram e o levantaram na cruz.

Contempla, minha alma, o teu Senhor, que suspenso por três duros cravos, está pendente naquele madeiro, onde não acha descanso nem repouso.

Ora se apóia sobre as mãos, ora sobre os pés, mas onde firma ai aumenta a dor.

Ai meu Jesus, e que amarga morte é essa que sofreis! Eu vejo escrito sobre a cruz: Jesus Nazareno, rei dos Judeus.

Mas além deste título de escárnio, que sinal apresentais vós pelo qual vos conheçam como rei?

Ah! Que o vosso trono de dores, as vossas mãos encravadas, a vossa cabeça coroada de espinhos, as vossas carnes despedaçadas bem nos dão a conhecer que sois rei, mas rei de amor.

Eu me aproximo, portanto, enternecido a beijar estes vossos pés chagados.

Eu me abraço a essa cruz, onde quisestes morrer vítima do amor, sacrificado por mim.

Ai de mim, se por mim não tivésseis satisfeito à divina justiça! Eu vos dou graças e vos amo.

E não há quem console a Jesus tão cheio de dores.

Dos que estão em torno dele, uns blasfema, outros o escarnecem; estes lhes dizem: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz”; aqueles exclamam: “Salvou os outros e não pode salvar-se a si”.

E nem sequer dele se compadecem os companheiros de suplício, e até um destes, fazendo coro com os outros blasfema.

Estava, é verdade, Maria aos pés da cruz, assistindo com amor ao Filho moribundo; mas a vista desta Mãe dolorosa, em vez de consolar Jesus, mais o afligia, vendo as penas que ela sofria por seu amor.

E deste modo o Redentor não achando conforto na terra, ergue os olhos ao céu e se volta para o Eterno Pai que está no céu, mas o Pai, vendo-o coberto de todos os pecados dos homens, pelos quais estava satisfazendo, lhe responde: Não, não posso consolar-te.

É justo que eu também te abandone no meio de tuas penas e te deixe morrer sem conforto.

E foi então que Jesus exclamou: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”.

Ah! Meu Jesus, como vos contemplo, cheio de dores e triste! Sim, como deveis entristecer-vos ao pensar que sofreis tanto só para serdes amado dos homens, e quão poucos vos hão de amar!

Oh! bela chama de amor! Tu que consomes a vida de um Deus, ah! Consome em mim todos os afetos terrenos, e faze-me arder de amor por Aquele que por teu amor quis sacrificar a vida num patíbulo infame.

Mas vós ó Senhor, como pudestes morrer por mim, prevendo as injúrias que depois vos haveria de fazer?

Morreste por meus pecados, derramaste teu Sangue Precioso como preço de resgate pela minha alma, instituístes vossa Igreja que renova vosso sacrifício no altar, e estais presente dia e noite nos sacrários do mundo todo, quantas vezes sozinho, quantas vezes ignorado, ultrajado e ofendido esperando apenas um ato de amor, de adoração.

Oh! Jesus, concedei-me uma profunda dor, que sempre me faça sentir os desgostos que vos causei por meus pecados.

Eu vos amo, ó sumo Bem, pelos merecimentos de vossa morte, fazei-me morrer para todas as afeições terrenas, afim de que eu só a vós ame.

Maria, minha esperança, rogai a Deus por mim.

Fruto:

Por amor de Jesus, crucifica tuas paixões e afetos desordenados: crucifica teu coração na cruz.

Faze quando for possível muitos atos de mortificação interior e exterior em honra do amorosíssimo Jesus crucificado, para que copiando suas virtudes, possas dizer como o apóstolo: Vivo eu, mas não sou eu, é Jesus que vive em mim.

***

VII. Para o Sábado

Das dores de Maria Santíssima

Considera como, conhecendo o amorosíssimo Jesus ser chegada a hora da sua paixão e morte, vai ter com a Santíssima Virgem, sua amada Mãe, agradece-lhe tudo quanto fez e padeceu por seu amor; diz-lhe um último adeus.

Fica cheia de aflição a Virgem Santa, põe-se em oração, e nela vai vendo em espírito todos os tormentos de seu amado Filho; vê-o agonizante; vê-o suar sangue e cair com a face por terra, desamparado por todos; chora e se aflige a Santíssima Virgem Maria, porque não lhe pode dar o mínimo socorro.

A Senhora vê a Judas, que entrega seu Filho, a Pedro que o nega, os soldados que o maltratam, os verdugos que o atormentam, os juízes que o condenam, e os escribas fariseus que o perseguem; vê-o cuspido e esbofeteado, injuriado e vestido como um louco.

Vai contando aqueles cruéis golpes e aqueles desapiedosos açoites que a Jesus despedaçam o corpo, e a ela ferem o coração.

Vê correr em rios o sangue, vê a pele arrancada, as carnes dilaceradas, os ossos descarnados, tudo uma chaga viva.

Ouve os gritos do povo que grita:

Viva Barrabás e morra Jesus Cristo! – Ah! Filho amado! Exclama a Mãe, não há quem vos socorra! Todos vos abandonaram!

Oh Deus, que dor, minha alma ! Jesus derrama seu Sangue; Maria rios de lágrimas; e tu que com teus pecados és a causa das penas de Jesus e das dores de Maria, não choras?

Ah! Coração ingrato e endurecido!

Considera como, durante toda a paixão esteve presente a Santíssima Virgem, e durante o caminho lhe sai ao encontro, abraça seu Filho Jesus, e ambos choram por amor, por saber tudo ser necessário para nossa salvação e há ainda quem não pense nisso, quem renegue Mãe tão Santa que foi capaz de sacríficios inimagináveis para nosso bem, para a nossa salvação.

Aflígidíssima Mãe de Deus e Alívio dos Aflitos! Grade é como o mar, a vossa dor; não há consolação nem alívio a vossa pena.

Perdestes um filho, o mais amável e perfeito, e com os vossos próprios olhos o viste falecer na morte mais cruel e afrontosa!

Da morte que causou maior dor e sofrimentos possiveis que foi sofrida por um Deus de Amor.

Perdoai-me, ó Mãe de piedade, perdoai-me pelas vossas dores o mal que fiz, ofendendo a Deus e magoando vosso terníssimo coração.

Oh! Quem me dera lágrimas de verdadeira contrição, para chorar dignamente seus pecados.

Alcançai-nos o perdão Santíssima Virgem, pela vossa intercessão, pois na cruz vosso Filho, em meio a um abismo de dores e sofrimentos, nos entregou por vossso filhos e vós por nossa Mãe.

Perdão, Mãe Santíssima, por tantos filhos que vos negam um título dado pelo próprio Deus, como intercessora e mediadora nossa.

Fruto:

Sê devoto das dores de Maria Santíssima; reza se puderes, todos os dias, em sua memória, sete vezes o Pai-Nosso, a Ave-maria e Glória ao Pai.

Quando houveres de confessar, reza um Pai-nosso e uma Ave-Maria às Dores de Nossa Senhora, porque depois de Jesus foi a Santíssima Virgem quem mais sofreu por nossa salvação; pede-lhe que te alcance lágrimas de verdadeira contrição e pede-lhe que te alcance uma boa morte e a conversão dos pecadores.

Eu me arrependo de vos ter ofendido, e promonho daqui em diante amar-vos e servir-vos com todo o meu coração e com toda a firmeza de minha vontade, auxiliado pela vossa graça.

Amém

***

Fonte: Site Orações

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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