Monofisismo

 
Certa noite, durante um jantar em Roma, o já falecido Dom Ivo Lorsheiter propôs-me, porque eu estava me preparando para fazer minha tese de doutorado em teologia, na Pontifícia Universidade de Roma, estudar e escrever sobre como certas antigas heresias dos inícios da Igreja estão ressurgindo nos tempos modernos. Na hora, a ideia do meu amigo e grande arcebispo não me pareceu atraente e mudei de assunto. Hoje, passados tantos anos da minha defesa de tese, em Roma, vejo que ele tinha muito motivo para fazer aquela proposta.
 
O monofisismo que surgiu e se desenvolveu durante o século quinto, parece que ainda não morreu por completo. O monofisismo é uma heresia que afirma que Cristo teve apenas uma natureza e isso segundo duas teorias diversas. A primeira, eutiquianismo, afirma que as naturezas humana e divina de Cristo se fundiram em uma única natureza: sua natureza humana “dissolveu-se como uma gota de mel no oceano”. A segunda, apolinarismo, afirma que Cristo tinha um corpo humano e um princípio vivo humano, mas que o Logos (Cristo) tinha tomado o lugar do nous, ou princípio pensante, análogo, mas não idêntico, ao que poderia ser chamado de “mente” hoje em dia. Em suma, o monofisismo, de uma forma ou de outra, afirmou e afirma que em Cristo só existe uma natureza.
 
Podemos dizer que essa heresia ainda persiste, pois muitos cristãos só veem o Cristo pelo lado espiritual, como um milagreiro, um ser divino que vive curando as pessoas, enquanto outras não se lembram que ele assumiu verdadeiramente uma natureza humana e chegam, quando se fala da morte de Jesus, a criticar a outros, afirmando que adoram um Deus morto. O monofisismo atual é tão pernicioso e falso quanto o antigo. Isto é triste, pois ou esquecemos que Jesus assumiu a natureza humana ou porque exageramos sua divindade, transformando-a em instrumento de curandeirismo.
 
Mons. Pedro Teixeira Cavalcante
Pároco da Igreja do Divino Espírito Santo – Jatiúca – Maceió/AL
 
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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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