Queimando a mufa com a Santíssima Trindade

Deus é Uno e Trino: três Pessoas distintas entre si, e que, no entanto, devem ser adoradas como um só Deus. Esta é uma realidade só compreensível pela fé, sendo impossível de ser alcançada por meio da inteligência humana; assim, este dogma é usado como desculpa para que muitos arrogantes pseudo-inteligentes justifiquem a sua rejeição ao cristianismo.

“Não posso crer em uma coisa que não se pode compreender por meio da razão” – alegam os descrentes. Porém, a crença na Santíssima Trindade não contraria a razão; antes, a escancara para reconhecer um fato que está além do seu alcance.

Essa dinâmica do uso da razão é algo que também ocorre no método científico.  Você já viu um buraco negro? Não?  Nem os cientistas!  Eles só afirmam sua existência porque conseguem visualizar seus efeitos.  Também é assim com quase tudo o que aprendemos na escola.  Simplesmente acreditamos porque temos motivos adequados e percebemos, pela experiência, que é verdade (do contrário, morreríamos antes de conseguir comprovar tudo).

Mas, se a ciência percebe a presença do buraco negro mesmo sem vê-lo, como podemos ter certeza da presença do Espírito Santo? Usando a razão, exatamente da mesma forma: observando com atenção, podemos nos dar conta dos Seus efeitos na Igreja e na nossa vida.

É bem conhecida a história do pequeno anjo em forma de menino que, aparecendo a Santo Agostinho, o fez se dar conta da tolice que era buscar compreender, por meio da especulação filosófica, o mistério da Santíssima Trindade. Só podemos aceitar esta verdade porque Deus a revelou a nós por meio das Escrituras e do Magistério da Igreja, nos quais temos razões de sobra para confiar.

No Antigo Testamento, a Trindade estava implícita. Em Gênesis, vemos que Deus refere-se a si mesmo no plural:

Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. (1,26)

Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida… (3, 22).

Ainda no primeiro livro da Bíblia (Gen 18,1-2), há uma passagem muito relevante: o texto diz que “O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré” (um só Senhor = um só Deus) e que, quando o patriarca levantou os olhos “viu três homens de pé diante dele” (três homens = três pessoas).

Somente a partir do Novo Testamento, porém, ficará explícita a condição trinitária de Deus. No Evangelho de João, Jesus afirma a Sua perfeita unidade com o Pai – “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30) – e é bem claro ao afirmar que por meio de Sua Face, podemos contemplar o Pai:

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.

Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… (João 14,8-9)

Mas talvez a passagem que torna mais evidente a revelação da Trindade esteja no livro de Mateus: Jesus enviou os Apóstolos em missão, ordenando que pregassem o Evangelho a todos os povos e batizassem as pessoas em “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19).

Cada uma das pessoas da Santíssima Trindade é Deus por inteiro, e cada qual possui Sua personalidade e missão próprias. Tudo o que Deus é não cabe na definição simplista que daremos a seguir, porém, basicamente, podemos dizer que:

  • O Pai é o Criador do Universo, é Aquele que gerou o Filho e a nós o enviou;
  • O Filho é o Redentor, é Aquele que é gerado pelo Pai e que nos envia o Espírito Santo;
  • O Espírito é o Santificador, que procede do Pai e do Filho, e que nos dá o entendimento para conhecer o Filho e nos impulsiona a fazer a Sua vontade.

Para melhor refletir sobre a diversidade das Três Pessoas divinas, reparem agora neste acontecimento interessantíssimo descrito do Evangelho de São Marcos, em que Jesus realiza uma cura “involuntária”:

Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o. Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue (…). Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto (…). Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.

Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes? Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou? E ele olhava em derredor para ver quem o fizera. (Mc 5,24-32)

Que fascinante! O Cristo realizava prodígios com o poder do Espírito Santo; dessa vez, porém, “quebrando o protocolo”, o Espírito resolveu realizar o milagre por conta própria (ou, talvez, por ordem do Pai), curando a mulher por meio do Filho, sem esperar que este tomasse a iniciativa. Diante do evento inusitado, Jesus se revela surpreso, e busca saber quem foi a pessoa que, com sua fé, extraiu dEle a força de cura do Espírito.

Então, recapitulando: Cristo realiza milagres com o poder do Espírito Santo, que provém do Pai; o Espírito, por sua vez, age na realidade por meio do Filho e… Bem, paremos por aqui. Minha pobre teologia não vai além!

A nós católicos, basta desejar e pedir a graça de viver entre nós Amor e a Unidade manifestados pela Santíssima Trindade. Que possamos, todos os dias, com a nossa boca e as nossas ações, dar glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

 

Fonte: O Catequista

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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Uma resposta para Queimando a mufa com a Santíssima Trindade

  1. Oi Alex, muito interessante este post. Feliz daquele que não precisa vê (matéria) para crê.

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