“Ei, católicos, vocês adoram imagens!” Ah, tá! Fale com a minha mão!

Nem cheirar, nem matar, nem traficar, nem roubar doce de criancinha; o pecado que mais atiça a sanha dos nossos irmãos evangélicos é a idolatria. E, nesse ponto, quase todos os católicos vivem sendo “crenticados”.

A estratégia dos nossos acusadores é a da tijolada: pegam uma passagem da Bíblia, tiram ela do seu contexto e a lançam na nossa cabeça, sem dó. Neste caso, o tijolo, isto é, o texto que usam como arma para atacar a nossa fé é o seguinte:

Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. (Ex 20:3-5)

Explico: o povo que vivenciou o Êxodo era, em grande parte, idólatra. A crença no Deus de Abraão, Isaac e Jacó não os imunizou da influência religiosa dos demais povos. Assim, o culto aos ídolos – primeiramente o bezerro de ouro, e depois os baals – era uma fonte de frequentes aborrecimentos e decepções para o Senhor.

Por isso, havia o grande risco de os hebreus perceberem o Deus da Aliança como mais um deus, o deus que estava “em alta” no momento, e não como O Deus, Único e Verdadeiro. Javé precisava deixar claro o abismo que havia entre os ídolos e Ele: Ele não é produto da mente humana, nem tampouco a Sua doutrina. Ele é o Deus que se revelou, Ele é Aquele que É (“Eu Sou Aquele que Sou” – Ex:3-14). Os ídolos, por sua vez, eram patéticos e impotentes objetos de pau, metal ou pedra, que representavam esquemas religiosos e doutrinas criadas pela imaginação humana.

Assim, foi preciso tomar uma medida educativa: proibir que o povo fizesse qualquer imagem do Senhor, para deixar claro que Ele não era mais um deus inventado, moldado por mãos humanas. Ademais, ninguém conhecia o Seu rosto, e nenhuma imagem poderia ficar à altura da Sua imensa glória:

No dia em que o SENHOR vos falou do meio do fogo no Horeb, não vistes figura alguma. Guardai-vos bem de corromper-vos, fazendo figuras de ídolos de qualquer tipo. (Dt 4, 15-16)

Entendida a razão que originou da proibição do culto às imagens? Então, passemos à segunda parte da história…

“Jingle Bells, jingle Bells!…”. Deus finalmente nos mostrou a Sua face. Todo o poder, o amor, a beleza, a misericórdia e a força de Deus sem rosto e sem nome cabiam agora no corpo de um Menino. Os olhos dos homens finalmente podiam contemplar a FIGURA do Criador: “Quem Me vê, vê também Aquele que Me enviou” (Jo 12:45).

Talvez o nariz ou os olhos fossem parecidos com os de Sua Mãe. Talvez. Mas o certo que os traços do rosto de Jesus não seriam jamais esquecidos ou ignorados pelos cristãos da comunidade primitiva. As paredes das catacumbas estão lá, para quem quiser e puder ver: pinturas de santos – inclusive de Maria, ó que pecado! – e personagens bíblicos para todo o lado.

Assim, não podemos compreender a Bíblia sem considerar a Tradição da Igreja, que, desde os primeiros séculos, entendeu que os ícones que representavam o Senhor, Maria e os santos exprimiam de forma legítima a fé e a esperança do nosso povo. Não custa lembrar o óbvio: a proibição do culto às imagens está diretamente relacionada ao combate à adoração de outros deuses. Por isso, o mandamento que condena a idolatria não se aplica no caso das imagens católicas, já que estas nos remetem à glória do próprio Cristo. Os ícones católicos nos testemunham sobre a vida de personagens reais e históricos (e não imaginários, como os ídolos), que dedicaram sua vida ao Senhor.

A relação dos católicos com as imagens de Jesus e dos santos é comparável à que qualquer pessoa tem com a fotografia das pessoas amadas. Quando olhamos a imagem de alguém importante para nós, a afeição se projeta; trazemos as fotos com carinho na carteira, colocamos em um canto de destaque na sala, beijamos o papel inerte quando a saudade aperta… E ninguém, por mais imbecil que seja, faria algum comentário infeliz aludindo a “idolatria”.

Pra encerrar, digo que este post não tem o objetivo de fornecer munição para que você, católico, possa se justificar quando te “crenticarem”. Não vale a pena gastar a saliva (a não ser nos raros casos em que há a possibilidade de um diálogo honesto e objetivo). O papo aqui é mesmo para nos ajudar a compreender as raízes da nossa própria identidade. Assim, sabendo quem nós somos e porque nós somos, nos tornamos mais capazes de viver a nossa fé de forma alegre, livre e consciente.

Por isso, se alguém vier lhe chamar de idólatra, não discuta. Manda o cara falar com a sua mão!

Fonte: O Catequista

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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4 respostas para “Ei, católicos, vocês adoram imagens!” Ah, tá! Fale com a minha mão!

  1. Flávio disse:

    As passagens lidas ao vivo para os evangélicos, fazem-lhes mudar de ideia de falar mais sobre isso. A apologética anti adoração e permissão de imagens de parte de Deus inicia-se assim: Ex.: Ex 25, 17-22 Deus mandou instalar sobre o Propiciatório da Arca 2 querubins, e por isso a Bíblia costuma dizer que ” Senhor está assentado sobre os querubins”, vejam: 1 Sm 4,4; 2; Sm 6,2; 2 Rs 10-15 e Sl 79,2; 98,1. Bem, em Nm 21,4-9, a serpentes de bronze; 1 Rs 7,28s, a descrição dos ornamentos do Palácio de Salomão, bois, leões, querubins, etc.; em 1 Rs 6,29s, a ornamentação das paredes do Templo, em 1 Rs 7,23-26 o mar de bronze sustentado por 12 bois de metal ,etc., e citar-lhes Cristo-Igreja de Cl 1,18 Cl 1,24 Ef 1.22-23 e 1 Cor 12,12s etc., deixando-a para se filiar a uma das instituições religiosas humanas é idolatria; sem falar que diz o Catecismo 846…Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiseram nela entrar ou nela perseverar.

  2. Brunna disse:

    Os Católicos Não adoram Imagens eles veneram as imagem respeitam muito diferente de adorar , as pessoas tem que estudar uma coisa antes de sair falando o q não sabe ‘

  3. Daniel costa disse:

    Mais muitas vezes vcs deixam de agradecer a Deus pra agradecer a um ¨santo¨/ de pedir a Deus preferi pedir a um santo. se aquilo que acontece todos anos em belem não for adoração a uma estatua de barro eu nao sei mais o significado da palavra adorar!!! O que aquilo com um homem
    somente um homem o papa nao é um santo mas vcs não veem isso.

    • Amado Daniel…

      Nenhum católico de verdade, com um mínimo de real entendimento da Doutrina Católica, vai fazer isso que você disse que fazemos: “deixar de agradecer a Deus para agradecer a um ‘santo'”. Não deixamos de agradecer a Deus! Nunca! Mas se alguém intercede por você por algum pedido seu, você agradece somente àquela pessoa a qual foi pedido, ou você não se sente agradecido também em relação àquela pessoa que intercedeu?

      Quanto à Belém, de fato, é uma estátua de barro… Mas, tu tem foto de Nossa Senhora? Eu não tenho… Aquilo é só uma representação da Mãe de Jesus (e nossa), e que, AGRADECENDO A DEUS, honramos tal mulher!!! Que é a MÃE DO MEU SENHOR!

      E por fim, no que diz respeito ao Papa, você foi certeiro, ele é somente um homem, como eu e você, tão pecador quanto, mas é também o sucessor de Pedro, ao qual, por isto, devo respeito e agradecimento!

      Fique com Deus!

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