Homilia do II Domingo da Quaresma – Ano B

1ª leitura (Gêneses 22, 1-2.9a.10-13.15-18): “O sacrifício do nosso pai Abraão.”

Salmo 115: Caminharei na presença do Senhor na terra dos vivos.

2ª leitura (Romanos 8, 31b-34): “Deus não poupou o seu próprio Filho.” 

Evangelho (Marcos 9, 2-10): “Este é o meu Filho predileto.”


"Da nuvem fez-se ouvir uma voz: Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O!"

É agora a própria voz do Pai, que dá testemunho do seu Filho. E o Filho de Deus revela-se aos discípulos, em todo o esplendor da sua beleza! Eles hão-de vê-lo, dentro de poucos dias, estirado na cruz, feito “homem das dores”, “sem beleza e sem graça” (Is.53,2). Mas hão-de, depois, contemplar “o mais belo entre os Filhos dos Homens” (Sal.45,3), ressuscitado de entre os mortos! Na Transfiguração, Jesus oferece aos seus mais íntimos discípulos, a visão plena do seu rosto humano e divino, do seu rosto doloroso e do seu rosto glorioso. E o Pai acena-nos, desde já, o caminho do verdadeiro conhecimento de Jesus, a via da sua contemplação: “Escutai-O”.

Escutai-O! Jesus é a revelação definitiva de Deus. “Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, Deus falou-nos, por fim, através de Seu Filho” (Heb.1, 1-2). Moisés e Elias, que ali aparecem “em glória”, acenam para Jesus. Agora a Lei e os Profetas, e por assim dizer, todo o Antigo Testamento, se esclarece, se confirma e se cumpre em Jesus. Jesus é a Palavra definitiva do Pai. É, por isso, a Ele, que deverão doravante escutar. “A Ele escutai”, diz literalmente o texto. Só, pela escuta de Jesus, Palavra de Deus, se pode verdadeiramente entrar na nuvem do seu mistério e contemplar toda a sua beleza.

Também nós desejaríamos, no caminho da vida e da fé, poder “entrar na nuvem”, partilhar, como os discípulos, desta intimidade amorosa com o Pai, deste conhecimento pleno do Filho, desta luz gloriosa do seu Espírito Santo. Mas como chegar aí? “Escutai-O”, diz o Pai. De fato, é preciso escutar, obedecer a essa voz íntima do amor, para conhecer e seguir Jesus. Todavia, a contemplação do rosto de Cristo, não pode inspirar-se senão naquilo que se diz d’Ele na Sagrada Escritura.

Porque é tão importante o contacto vital com a Sagrada Escritura, para chegar a escutar o Filho e a contemplar a beleza do seu rosto?!

Porque, em primeiro lugar, a voz do Pai, faz-se próxima de nós nos livros sagrados. Com diz o Concílio, “nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles” (DV 21). Devemos, por isso, aprender a ler, a meditar e a rezar com a Bíblia, com toda a Bíblia, mesmo com o Antigo Testamento. A Sagrada Escritura está, do princípio ao fim, permeada pelo mistério de Cristo; mistério obscuramente esboçado no Antigo Testamento e revelado plenamente no Novo. “O Antigo está patente no Novo e o Novo Testamento está latente no Antigo” (cf. DV 16), de tal maneira que S. Jerónimo afirma sem hesitar: “A ignorância das Escrituras é ignorância do próprio Cristo”.

De modo especial, o nosso conhecimento de Cristo, deve ancorar-se no testemunho verdadeiro e credível dos evangelhos. Os quatro evangelhos são como que o coração de toda a Bíblia (cf. DV 18). Neste ano litúrgico, era interessante entrar na nuvem do conhecimento do Filho do Homem e do Filho de Deus, lendo o Evangelho mais pequenino, de São Marcos. Sem conhecer os Evangelhos, apenas chegaremos à imaginação do rosto de Cristo!

Por último, se permanecermos ancorados na Sagrada Escritura, o nosso coração abrir-se-á também à acção do Espírito Santo (cf. Jo 15,26), daquele mesmo Espírito Santo que inspirou os autores sagrados a escrever. É esse Espírito Santo que nos ensina a rezar e nos introduz na comunhão íntima de amor entre o Pai e do Filho.

Queridos Irmãos: Vale a pena conhecer as Escrituras, conhecer o seu autor, a Mensagem e os personagens. Deste modo, no itinerário de transfiguração, nunca nos sentiremos sós. Estão connosco a acompanhar-nos “essa grande nuvem de testemunhas” (Heb.12,1): desde Abraão, nosso pai na fé, que obedeceu à voz de Deus, passando por Moisés, que falava com Deus face a face, sem esquecer Elias, que ardia de zelo pelo Deus vivo, até nos reconhecermos em Pedro, Tiago, João, que conheceram e seguiram Jesus. Eles nos ajudarão a subir o nosso Tabor, a permanecer ali na luz da transfiguração e a descer em direcção ao amanhã, que Deus nos prepara! “Rodeados de tal nuvem de testemunhas, corramos com perseverança, para o combate que se apresenta diante de nós, fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição” (Heb.12,1-2)!

Fonte: ABC da Catequese

Anúncios

Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
Esse post foi publicado em Formação, Homilias. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s