São Cirilo e São Metódio

Comemoramos hoje a vida de dois santos irmãos, São Cirilo e São Metódio, grandes proclamadores do Evangelho nas terras eslavas, proclamados pelos Papa João Paulo II, Patronos da Europa, juntamente com São Bento.

Santos Cirilo e Metódio, rogai por nós!

São Cirilo (Kyrill, Kyrillos, Κύριλλος), diácono em Constantinopla, foi um dos grandes responsáveis pela expansão do cristianismo ortodoxo entre os eslavos do Leste Europeu no século IX. Uma das realizações mais importantes de São Cirilo foi o ensino do cristianismo e a propagação do Evangelho entre os eslavos. Também é conhecido pela elaboração de um alfabeto adaptado às línguas eslavas, conhecido posteriormente como alfabeto cirílico.

São Metódio (do grego Μεθόδιος, e do latim Methodius), arcebispo da antiga Moravia, natural da Tessalônica, o qual, juntamente com seu irmão, dedicou-se à evangelização dos eslavos na Europa Central. Foi também bispo de Sírmio.

Vida

Os irmãos Cirilo e Metódio nasceram no século IX, sob o império de Constantino em Tessalônica. Filhos de Maria e de Leôncio, ambos muito letrados. Leôncio era um “Drungario” (oficial militar) do Império Bizantino.

Segundo a obra “Vita Cyrili”, o número sete parece muito ligado à vida de Cirilo, também chamado Constantino. Ele era o caçula de sete irmãos, que aos sete anos sonhou que o administrador da cidade pediu-lhe para escolher uma dentre as mulheres da cidade colocadas diante dele.

Constantino teve a sabedoria para escolher Sofia, o que se explica pelo seu entusiasmo pelo conhecimento (“Sofia” quer dizer “sabedoria”). Aos 14 anos (ou seja, 2 vezes 7), perdeu os pais.

Constantino recebeu sua educação básica em Tessalônica. Por volta da idade de 17 anos (842/843), foi para Constantinopla, onde permaneceu até 847 e estudou Filosofia, Gramática, Retórica, Música, Aritmética, Geografia e Astronomia na Universidade Imperial de Constantinopla. Lá também estudou grego e latim. Estas duas línguas ele dominava, junto com o búlgaro antigo, provavelmente desde sua infância. Aprendeu também o siríaco e um pouco do hebraico. Entre seus professores estavam especialmente “Leon, o Matemático” e Photius (mais tarde Patriarca).

Em 848,após completar seus estudos, se dedicou às tarefas de Sub-Diácono, depois Diácono e ainda como “Chartophylax” (Bibliotecário, Arquivista e Secretário) de Inácio (847-857), patriarca de Constantinopla.

Cerca de dois anos mais tarde, depois de rejeitar uma noiva rica para casar, Theoktistos o seleciona para serviços no Mosteiro de Kleidion (em Línguas eslavas: Klyuch), que ficava a nordeste de Tessalônica, sobre o Bósforo. Viveu nesse mosteiro seis meses. Aí descoberto, foi convidado em 850 ou 851 para lecionar filosofia jurídica na Universidade. Dessa época veio seu apelido de Filósofo e aí teve uma polêmica com o deposto iconoclasta patriarca João e disputas com outros iconoclastas.

De Constantinopla, foi por breve tempo em missão política e religiosa (850-851) ao tribunal árabe do Califa Al-Mutawakkil, em Samarra, para suprimir a cobrança de impostos aos cristãos por parte dos Árabes. Ali participou de intensa disputa teológica com eruditos e clero muçulmanos. Alguns dos árabes, inclusive, o pretendiam envenenar. A disputa era sobre o Santíssima Trindade, conceito não aceito pelos muçulmanos, cuja existência um Muçulmano não podia reconhecer. Constantino (Cirilo), nesse período, mostrou ser bom conhecedor do Alcorão. Estes foram justamente os anos em que as diferenças entre o Cristianismo e Islamismo se mostraram mais significativos.

No seu regresso a Constantinopla, Cirilo reassumiu sua cátedra, entrando para um mosteiro no monte Olimpo na Ásia Menor (em Brussa). Lá reencontrou seu irmão Metódio, que há muito tempo ali vivia. O local tinha importância política, pois em 856 a Imperatriz Theodora se estabelecera no mesmo, onde também fora assassinado seu protegido Theoktistos.

Missão

Em 862, o Príncipe de “Ratislav”, soberano da Grande Morávia, procurou o Papa em Roma, que solicitou ao Imperador Bizantino Miguel III que indicasse um mestre religioso para ensinar ao povo da Moravia tudo acerca da fé cristã.

Miguel III e o Patriarca Photius solicitaram a Cirilo e seu irmão Metódio que se encarregassem dessa missão à Grande Morávia, por serem os únicos com suficiente conhecimento da religião e das Línguas eslavas.

Em 863 ou 864 (conf. tradição, em 5 de julho de 863) chegaram Cirilo e Metódio na Morávia, trazendo seus primeiros textos traduzidos, um símbolo, a Dupla Cruz Bizantina (que hoje está na Eslováquia), e relíquias dos primeiros Bispos de Roma, como São Clemente.

Ali fundaram a chamada Grande academia, onde futuros sacerdotes e administradores Eslavos eram educados. Até 885 cerca de 200 homens foram aí diplomados. Há poucos achados arqueológicos dessa instituição, os quais estão hoje guardados no Castelo Devin em Bratislava.

Cirilo e Metódio permaneceram muitos anos na Moravia como missionários. No início foram muito criticados pelo sacerdote Bávaro residente na Moravia, que via sua influência se reduzir. Alegava este que, conforme a tradição que vinha desde a inscrição feita na Cruz de Jesus Cristo por Pôncio Pilatos, somente três eram as línguas do Cristianismo (Latim, Grego e Hebraico), não uma língua eslava.

Estando a Grande Moravia na esfera de influência de Roma, os dois irmãos foram com o consentimento dos senhores feudais de Ratislav (hoje Moravia) e do Principado neutro de Sventopluk (hoje Eslováquia), a Roma para obter do sumo pontifice consentimento para usar na liturgia a língua da “Velha Igreja” com o alfabeto glagolítico, o que demonstra ter havido cristãos na Moravia antes de do cristianismo “oficial” enviar a Cirilo e Metodio como missionarios. Com ele foram alguns dos alunos a fim de serem ordenados como sacerdotes. Algumas fontes relatam que se dirigiram a Veneza ou Constatinopla para obterem permissão, o que mostra que talvez o bispo de Roma nao tivesse poderes absolutos ainda.

Havia o chamado alfabeto arcaico, sistema de escrita desenvolvido no Primeiro Império Búlgaro para escrever a Língua Litúrgica da Antiga Igreja Eslava. Cirilo e Metódio a partir dessa escrita criaram o alfabeto glagolítico, influenciado pelos alfabetos grego, latino e hebraico, dando origem mais tarde ao Alfabeto Cirílico.

A caminho de Roma, pararam no Principado Balaton (Hungria) do príncipe Kocel e mais adeptos foram doutrinados.

No outono de 867, os irmãos e seus alunos se reuniram na República de Veneza para mais discussões sobre o uso da língua eslava na liturgia. Em Veneza, Cirilo recebeu o convite oficial do Papa Nicolau II para ir a Roma, possivelmente por influência de seu amigo, Bispo Arsenius, de Roma e por causa das relíquias de São Clemente.

No inverno de 867 se encontraram com o novo Papa Adriano II que aprovou seus planos para a liturgia na Grande Moravia. As traduções da Bíblia foram feitas e consagradas no Natal na Catedral de São Pedro, caracterizando assim sua aceitação por Roma. Em fevereiro de 868 Metódio e três de seus alunos, “Gorazd” (da Eslováquia), “Kliment” (eslavo do sul) e “Naum”, foram ordenados sacerdotes e Diáconos em Roma.

Em março de 868, a língua da Antiga Igreja Eslava foi oficial e finalmente admitida como quarta língua litúrgica da Igreja Ocidental. Foi uma fato muito significativo, pois depois disso somente no século XX (mais de 1000 anos depois) outros idiomas viriam a ser aceitos. Pouco depois da morte de Metódio, porém, o Papa Estevão II veio a bani-la da Liturgia.

Em 868, Cirilo adoeceu em Roma, onde vivia num mosteiro, no qual provavelmente tomou o nome de Cirilo (era até então Constantino). Morreu em 869, tendo sido enterrado na Igreja de São Clemente em Roma. Não se tem certeza documental de que Cirilo (Constantino) tenha sido consagrado bispo.

Metódio foi então ordenado bispo e partiu para a Panônia, onde exerceu intensa atividade evangelizadora. Muito sofreu por causa de pessoas invejosas, mas sempre contou com o apoio dos Pontífices Romanos. Morreu no dia 6 de abril de 885 em Velehrad (República Tcheca).

Obras

Constantino (Cirilo) desenvolveu especificamente para sua Grande Missão para o primeiro alfabeto eslavo, o ‘’Glagolitico’’, que não é exatamente o atual Alfabeto cirílico, mas deu origem a esse.

Nessa Missão Cirilo traduziu o Novo Testamento em um idioma eslavo por ele criado, a partir de alguns dialetos próximos do Búlgaro antigo, hoje chamado de “Língua da Velha Igreja Eslava.” Aí se incluíram o alfabeto glagolítico e dialetos ainda existentes hoje na Eslováquia.

Na mesma missão na Grande Moravia, Cirilo terminou por traduzir toda a Bíblia e também uma grande coleção de textos litúrgicas. É considerado o fundador da Literatura Eslava.

As traduções de Cirilo são bastante criativas e tem para as línguas eslavas significado semelhante ao sas obras de Martinho Lutero (Ex. Tradução da Bíblia para o alemão.

Traduções

  • Perikope – Evangelho de João – de 862; traduzido do Glagolítico; encontrado na “Codex Assemanianus” do início do século XI na Macedônia; O “Savvina Kniga” (do século XI, traduzido do Cirílico, encontrado no nordeste da Bulgária)
  • Os quatro Evangelhos do Novo Testamento, traduzido em 862, junto com Método; encontrado no “Codex Zographensis” (início século XI na Macedônia) em Glagolítico e no “Codex Marianus” (norte da Macedônia também no século XI, Glagolítico.
  • Trebnik (Liturgia do rito Bizantino), traduzido no Glagolítico, na Grande Morávia, encontrado no século XI no “Euchologium sinaiticum”
  • Breviário (liturgia), traduzido na Morávia, orações para Sacerdotes, encontrada no século XIII no Breviário Croata -Glagolíticop – Vrbnik;
  • Zakon sudnyj Ljuder – Código Judiciário para Políticos (provavelmente junto com Metódio) na Grande Morávia; também “Código Civil” – encontrado em Novgorodskij (1280, Rússia)
  • Missal (juntamente com o Métodio): traduzido na Grande Morávia, complementada por uma Liturgia bizantina – elementos de São Pedro (culto ocidental), encontrado em Kiev folhas, século X – Balaton, Bulgária – Glagolítico
  • Saltério (Livro Texto) (juntamente com o Método) traduzido na Grande Morávia, encontrado na saltério Sinaiticum – século XI – Glagolítico)
  • Escritos Apostólicos do Novo Testamento (juntamente com o Método) traduzido na Grande Morávia, encontrado na Apostol Kristinopolski – século XIII.
  • Oktoich (Osmiglasnik): traduzido na Grande Morávia traduzido; cantos litúrgicos bizantinos, se encontra no Strumicki oktoich (séculos XII e e XIII)

Escritos

  • Chersones A lenda(“O relatório com histórico discurso sobre a transferência dos restos do glorioso Klemens’), 2o metade do século IX – compõe se de “conversação” e “história” – tradução mal recebida pela Igreja Eslava (século XVI) – três partes: historica narratio, “Sermo declamatorius e Hymn(para S. Clemente);
  • Disputa sobre o direito fé com os judeus, 2a metade do século IX ; os métodos de Constantino Cirilo) traduzido do Grego; encontrado truncado – século XV; incluído na CyrilliVita – período em torno de 870;
  • Proglas 863-867, Prefácio do Evangelho – uma das primeiras traduções a eslavos – poema;
  • Louvação em honra de São Gregório de Nazianz – 2a metade do século IX – poema encontrado na “Cyrilli ‘Vita
  • Canon Poema em Honra honra de São Demétrio de Tessalônica, 864-867, talvez junto com Metódio;
  • Preces antes da morte – 2a metade do século IX – incluído na CyrilliVita
  • Prefácio para os Evangelhos, 2a metade do século IXº – o primeiro tratado sobre eslavas problemas de tradução e teoria literária, um fragmento da antiga tradução do grego original é em Hilferdingsches – Séculos XI e XII – Bulgária;
  • Escritas sobre Direito de fé, 2a metade do século IX;
  • Preces Alfabéticas – 2a metade do século IX – talvez, porém, seja de “Constantino de Preslav”
  • Beichtordnung em “Euchologium sinaiticum” (talvez juntamente com Metódio)
  • Duas orações em forma de poemas, nas “Folhas Sinai folhas” e no “Euchologium sinaiticum”
  • “Folhas de Kiev” – atribuídas a Cirilo (Constantino)
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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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