Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a vitória!

Santa Inês, rogai por nós!

Hoje, 21 de janeiro, celebramos, com toda a Igreja de Cristo, o exemplo de vida, de entrega, de Santa Inês, Virgem e Mártir, padroeira da castidade.

Também é conhecida como Santa Inês de Roma ou Santa Agnes. Centenas de igrejas são nomeadas em sua honra, sendo a mais célebre em Roma, Sant’Agnese Fuori le Mura (Santa Inês Fora dos Muros).

Suas relíquias se encontravam na Basílica de Latrão, e, exames forenses realizados no crânio da jovem que se encontrava no tesouro de relíquias do “Sancta Sanctorum” da Basílica, recentemente comprovam que se trata realmente de uma menina de 13 anos. Hoje, a cabeça de Santa Inês se encontra na Igreja de Santa Inês em Agonia (Sant’Agnese in Agone), localizada na Praça Navona, em Roma (http://www.enrosadira.it/santi/a/agnese.htm).

Nos quadros é representada frequentemente com um cordeiro junto a si, até porque o seu nome provém do latim “agnus” (cordeiro) e um lírio, símbolo da pureza.

E, para tal data, gostaria de compartilhar com vocês um texto, de Santo Ambrósio, sobre menina Santa Inês… É de uma beleza tocante a determinação daquela virgem, exemplo de pureza, doação e santidade! Eis o texto:

***

Celebramos o natalício de uma virgem: imitemos sua integridade; é o natalício de uma mártir: ofereçamos sacrifícios. É o aniversário de Santa Inês. Conta-se que sofreu o martírio com a idade de doze anos. Quanto mais detestável foi a crueldade que não poupou sequer tão tenra idade, tanto maior é a força da fé que até naquela idade encontrou testemunho.

Haveria naquele corpo tão pequeno lugar para uma ferida? Mas aquela que quase não tinha tamanho para receber o golpe da espada, teve força para vencer a espada. E isto numa idade em que as meninas não suportam sequer ver o rosto zangado dos pais e choram como se uma picada de alfinete fosse uma ferida!

Mas ela permaneceu impávida entre as mãos ensangüentadas dos carrascos, imóvel perante o arrastar estridente dos pesados grilhões. Oferece o corpo à espada do soldado enfurecido, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela. Levada à força até os altares dos ídolos, estende as mãos para Cristo no meio do fogo, e nestas chamas sacrílegas mostra o troféu do Senhor vitorioso. Finalmente, tendo que introduzir o pescoço e ambas as mãos nas algemas de fero, nenhum elo era suficientemente apertado para segurar membros tão pequeninos.

Novo gênero de martírio? Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a vitória! Mal sabia lutar e facilmente triunfa! Dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade! Uma recém-casada não se apresaria para o leito nupcial com aquela alegria com que esta virgem correu para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada não de belas tranças mas de Cristo, e coroada não de flores mas de virtudes.

Todos choram, menos ela. Muitos se admiram de vê-la entregar tão generosamente a vida que ainda não começara a gozar, como se já tivesse vivido plenamente. Todos ficam espantados que já se levante como testemunha de Deus quem, por causa da idade, não podia ainda dar testemunho de si. Afinal, aquela que não mereceria crédito se testemunhasse a respeito de um homem, conseguiu que lhe dessem crédito ao testemunhar acerca de Deus. Pois o que está acima da natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.

Quantas ameaças não terá feito o carrasco para incutir-lhe terror! Quantas seduções para persuadi-la! Quantas propostas para casar com algum deles! Mas sua resposta foi esta: “É uma injúria ao Esposo esperar por outro que me agrade. Aquele que primeiro me escolheu para si, esse é que me receberá. Por que demoras, carrasco? Pereça este corpo que pode ser amado por quem não quero!” Ficou de pé, rezou, inclinou a cabeça.

Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado, tremer a mão que desfecharia o golpe, e empalidecerem os rostos temerosos do perigo alheio, enquanto a menina não temia o próprio perigo. Tendes, pois, numa única vítima um duplo martírio: o da castidade e o da fé. Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio.

Do Tratado sobre as Virgens, de Santo Ambrósio, Bispo (Lib. 1, cap. 2.5.7-9:PL 16, [edit. 1845],189-191, séc. IV)

Fonte: Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Sábado, 21 de janeiro, II Semana do Tempo Comum.

Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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