Festa da Sagrada Família de Nazaré

Jesus, Maria e José... Nossa família Vossa é!

Dentro do clima de Natal, a Liturgia nos apresenta no dia 30 de dezembro a SAGRADA FAMILIA de Nazaré, como exemplo e modelo de todas as famílias. Jesus menino precisou de uma família, que o acolhesse na condição humana, fraca e frágil. Precisou ser acolhido pelo amor de um coração materno e amparado pela presença solícita de um pai.

Depois da família de Nazaré, todas as famílias se tornaram sagradas,pois é o espaço da vida e do amor. Os tempos mudaram, mas o valor da família sempre será atual. O pouco tempo da convivência familiar no mundo de hoje, implica criatividade e determinação para reservar mais tempo para reunir e celebrar a vida em família.

A 1ª Leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais (Eclo 3, 3-7. 14-17a):

“Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.”

O texto repete cinco vezes a palavra “honrar”: significa dar o devido valor e reconhecer a sua importância com certas atitudes concretas. Como recompensa, terá o perdão dos pecados, alegria, vida longa e a atenção de Deus.

A segunda opção para a 1ª Leitura (Cl 3, 12-21) sugere sete tecidos a serem usados na família e na comunidade, para viver sempre em harmonia e assim conseguir a felicidade (misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, tolerância e perdão recíproco):

“Irmãos: Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também.
Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição.
Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos.
Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças.
Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. 
Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor.
Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 
Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor.
Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.” 

O Evangelho nos põe diante da Sagrada Família de Nazaré apresentando Jesus no Templo de Jerusalém (Lc 2, 22-40). É uma catequese sobre a identidade de Jesus e a sua missão no mundo:

“Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor.Conforme está escrito na Lei do Senhor: ‘Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor’. Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor.
Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: ‘Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meu olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel’.
O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: ‘Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição.Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma’.
Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.”

Mostra uma família fiel cumpridora da Lei do Senhor, que consagra a Deus a vida dos seus membros. Maria e José perceberam que quem escuta a Palavra de Deus, constrói a família sobre a rocha firme dos valores eternos.

A Palavra de Deus tem o seu lugar na vida de nossas famílias?

Em nossas famílias há a preocupação para a formação cristã dos filhos?

Os pais procuram transmitir aos filhos os valores do Evangelho, acompanhando a caminhada catequética, inserindo-os numa comunidade de fé, consagrando-os ao serviço de Deus?

É por tudo isto que o Papa Bento XVI dedicou o seu último encontro às quartas-feiras deste ano para falar sobre a família, sobre a oração em família.

“A Sagrada Família é ícone da Igreja doméstica, chamada a rezar em união. A família é Igreja doméstica e deve ser primeira escola de oração. […] Uma educação autenticamente cristã não pode prescindir da experiência de oração. Se não se aprende a rezar em família, será depois difícil preencher esse vazio. E, portanto, gostaria de dirigir a vós o convite a redescobrir a beleza de rezar juntos como família, na escola da Sagrada Família de Nazaré. E, assim, tornar-vos realmente um só coração e uma só alma, uma verdadeira família”, destacou o pontífice.

Nessa perspectiva, a família cristã reza na intimidade doméstica, “mas reza também junto com a comunidade, reconhecendo-se parte do Povo de Deus em caminho”.

O Santo Padre destacou que a Família de Nazaré é o primeiro modelo da Igreja em que, em torno da presença de Jesus e graças à sua mediação, vivem todos a relação filial com Deus Pai, que transforma também as relações interpessoais e humanas.

O Bispo de Roma ressaltou que é através da oração que nos tornamos capazes de aproximarmo-nos de Deus com intimidade e profundidade.

“A Casa de Nazaré, de fato, é uma Escola de Oração, onde se aprende a escutar, a meditar, a penetrar o significado profundo da manifestação do Filho de Deus, através do exemplo de Maria, José e Jesus. […] Na Escola da Sagrada Família, nós compreendemos porque devemos ter uma disciplina espiritual, se queremos chegar a ser alunos do Evangelho e discípulos de Cristo”, explicou.

Maria, José e “Pai”

Maria é o modelo insuperável da contemplação de Cristo, pois o é no seu ventre que o Filho se formou e tomou dela também uma semelhança humana.

“À contemplação de Jesus, ninguém se dedicou com tanta assiduidade quanto Maria.

As lembranças de Jesus, fixadas na sua mente e no seu coração, marcaram cada instante da existência de Maria. Ela vive com os olhos sobre Cristo e valoriza cada uma de Suas palavras. […] A atitude de Maria diante do Mistério da Encarnação, atitude que se prolongará em toda a sua existência: conservar todas as coisas, meditando-as no seu coração”.

A capacidade de Maria de viver do olhar de Deus é contagiante. O primeiro a fazer tal experiência é São José.

“O Evangelho, como sabemos, não conservou nenhuma palavra de José: a sua é uma presença silenciosa, mas fiel, constante, operosa. […] Assim, no ritmo das jornadas transcorridas em Nazaré, entre a simples casa e a oficina de José, Jesus aprendeu a alternar oração e trabalho, e a oferecer a Deus também o cansaço para ganhar o pão necessário à família”.

Outro episódio que vê a Sagrada Família de Nazaré reunida em um evento de oração é quando Jesus, aos doze anos, dirige-se com os seus pais ao Templo de Jerusalém.

“‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?’ (Lc 2,49). Após três dias de busca, os seus pais encontram-No no Templo, sentado entre os Mestres, que o escutavam e interrogavam (cf. 2,46). À pergunta sobre o porquê fez isso com seu pai e sua mãe, Ele responde que fez somente aquilo que deve fazer o Filho, isto é, estar junto ao Pai. Assim, Ele indica quem é o verdadeiro Pai, qual é a verdadeira casa, que Ele não fez nada de estranho, de desobediente. Permaneceu onde deve estar o Filho, isto é, junto ao Pai, e sublinhou quem é o seu Pai”, explica Bento XVI.

Assim, a palavra “Pai” abre o mistério e é a chave do mistério de Cristo, que é o Filho, e abre também a chave do mistério nosso como cristãos, que somos filhos no Filho.

“Ao mesmo tempo, Jesus ensina-nos como ser filhos, exatamente no estar com o Pai em oração. O mistério cristológico, o mistério da existência cristã está intimamente ligado, fundado na oração”.

 

Fonte: adaptado da Pastoral Familiar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e Canção Nova Notícias.

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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