O Natal da família Ratzinger

Família Ratzinger

Todas as famílias do mundo festejarão o Natal. Também aquelas que moram no Vaticano. Sobre o Natal, no Palácio Apostólico, não se fala muito quais tradições bávaras conserva Bento XVI. Mas tendo como base o recém-lançado livro entrevista de Monsenhor Georg Ratzinger, chamado “Meu irmão, o Papa”, pode se ter uma ideia. Em seu texto, o sacerdote revelou, por exemplo, que seu irmão pontífice guarda um presépio muito velho, construído pelos irmãos Ratzinger nos tempos da juventude em Tittmoning, Alemanha. A preciosa recordação familiar decora a sala de jantar do Palácio Apostólico onde o pontífice faz suas refeições todos os dias com a sua família papal: os secretários Mons. Georg Gaenswein e Mons. Alfred Xuereb, e quatro Memores Domini, mulheres leigas consagradas italianas.

A família Ratzinger, como uma típica família bávara da época, era muito religiosa e devota à Nossa Senhora. “De fato, tenho que dizer que o Natal na nossa família tinha uma importância muito grande”, ressalta o irmão do Papa em seu livro. As preparações começavam praticamente com o primeiro domingo do Advento.

Uma particular prática religiosa conservada pelos Ratzinger eram as missas marianas, “Roratemessen”, celebradas às 6h com paramentos brancos. “(…) íamos sempre a estas missas antes do início das aulas. Lá fora ainda estava muito escuro e com frequência os homens tremiam porque fazia muito frio. Mas o esplendor quente das casas de Deus os recompensava por levantarem-se tão cedo e para uma caminhada pela neve e gelo. A igreja escura era iluminada pelas velas e pelas “Wachsstöckl” (uma espécie de vela decorada, típica bávara), que muitas vezes eram levadas pelos fiéis e que não davam somente luz, mas também calor. Depois, voltávamos para casa para o café da manhã e íamos para a escola”.

Na Itália de hoje os presépios e árvores de Natal já brilham a partir de 8 de dezembro, desde a festa da Imaculada Conceição, mas nos tempos da infância e da juventude de Georg e Joseph Ratzinger, o presépio com a árvore eram decorados no dia da véspera de Natal. “Na manhã de 24 tínhamos começado a montar o presépio da família”, conta no livro o monsenhor. “Todos os anos nos entusiasmávamos para fazê-lo ainda mais belo. Em 1929 nos mudamos para Tittmoning que se situava às margens do rio Salzach e ali procurávamos pedras vulcânicas que recolhíamos. Eram muito diferentes entre elas, algumas tinham buracos, outras, dobras, outras tinham bordas muito pontudas e com elas se podia decorar muito bem o presépio. Então levamos para casa um cesto inteiro destas pedras e com elas construímos maravilhosas paisagens com colinas. Meu irmão tem ainda hoje este pequeno presépio de família com as pedras vulcânicas de Tittmoning e que no Natal é colocado na sala de jantar do Palácio Apostólico”.

“À tarde”, continua suas recordações o irmão do Papa, “mamãe nos dizia que tínhamos que ir fazer um passeio. Com frequência havia neve profunda e íamos com o trenó, enquanto mamãe decorava a árvore natalina. No fim da tarde, voltávamos e recitávamos o rosário. Isto se costumava fazer na nossa família, frequentemente todos os dias, mas pelo menos no sábado. Nos colocávamos de joelhos com uma cadeira diante de nós, onde apoiávamos os braços e um de nós, na maior parte das vezes papai, nos guiava na oração”.

Joseph Ratzinger, ainda criança

No norte da Europa é muito forte a tradição da ceia da véspera de Natal que prepara para o dia de Natal. Na família Ratzinger se iniciava à noite quando “se ouvia a sineta da sala da frente. Ali ficava a árvore de Natal, um pequeno pinheiro, com os presentes sobre a mesa ao lado. Aquilo que nós víamos, o esplendor das velas sempre nos impressionou profundamente. Nós usávamos velas verdadeiras de cera que exalavam um perfume maravilhoso. A árvore era decorada com bolas de vidro, cabelos de anjo (fios muito finos dourados) e lâminas, depois com estrelas, corações e cometas que mamãe havia cortado com geléia de quitten (um tipo de marmelada). Depois papai fazia a leitura de Natal do Evangelho segundo Lucas e cantávamos cantos natalinos como ‘Stille Nacht’, ‘Oh du fröhliche’ e ‘Ihr kinderlein kommet’. Uma vez em 1936 quando já frequentávamos o ensino médio, escrevi uma composição para o Natal que depois tocamos em três, minha irmã no Harmonium, meu irmão no piano e eu no violino. Mamãe ficou muito comovida e também papai se impressionou muito, embora fosse um tipo diferente. Depois, todos os anos escrevi alguma coisa para o Natal”, relatou o sacerdote.

Ainda em seu livro, Monsenhor Georg afirma que um momento particular para sua família foi sempre a “Bescherung” (troca de presentes, em alemão). Na família Ratzinger, a troca – que tradicionalmente acontece na conclusão da ceia natalina – era feita sempre um pouco antes das outras famílias “porque éramos impacientes”, conta com humor o irmão de Bento XVI. “Era sempre uma coisa maravilhosa, como em uma fábula. Certamente não eram presentes exagerados, especialmente coisas que nos serviam, como roupas, meias que minha mãe havia feito, chapéus ou outras coisas que estavam faltando. Para cada um havia um prato de biscoitos, ameixas secas, pêras e pão de fruta, coisas maravilhosas. Ainda hoje nos lembramos com alegria. Naturalmente cada um podia dizer seus próprios desejos. Quando éramos pequenos, meu irmão Joseph ganhou animais de tecido, um ursinho, uma vez um cavalo, outra vez um pato e um cachorro. Amava os animais, por isso nossos pais lhe davam sempre animais, mas o Menino Jesus lhe trouxe também um trenzinho uma vez”.

“Por fim”, conclui suas recordações natalinas o irmão do Papa, “serviam um Punsch (bebida natalina com suco de laranja, vinho tinto, açucar, cravo, canela…) a nós crianças, não muito forte é claro. Depois nos mandavam para cama. Quando éramos maiores nos levantávamos às 23h e íamos na missa à meia-noite. Depois, na manhã do primeiro dia de Natal, havia o café da manhã festivo com “Christstollen” (típico doce alemão de Natal) e café verdadeiro que meu pai tanto gostava. Às 14h íamos de novo à igreja para as vésperas, onde cantava também o coro”.

 

* “Meu irmão, o Papa” é um livro-entrevista do jornalista alemão Michael Hesemann, cujo original é em alemão.

 

Fonte: Com. Shalom

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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