Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ)

Continuando nossa série sobre as origens das Ordens e Congregações Religiosas, trazemos hoje a história de São Daniel Comboni e os Missionários Combonianos, um importante ramo da Igreja Católica responsável pela evnagelização missionária.

Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ)  foi fundada oficialmente no ano de 1867, por São Daniel Comboni, Bispo. Destinava-se à animação missionária na Europa, especialmente na África central, e o campo de atuação era a evangelização, luta contra a escravidão e diversas obras espirituais e materiais.

Daniel Comboni nasceu em uma família humilde de agricultores, num pequeno povoado à beira do lago de Garda, rodeado por montanhas, chamado Limone sul Garda, na Itália, a 15 de Março de 1831.

Na escola a sua professora percebeu que o menino era diferente: as respostas que dava revelavam uma inteligência incomum, uma curiosidade viva que se traduzia em perguntas sem fim. Aos dez anos de idade, já escolheu ser padre. Para poder estudar, o menino foi obrigado a deixar a família, sendo encaminhado a Verona, a cidade grande mais próxima, onde foi confiado ao sacerdote Nicola Mazza que ali fundara e mantinha dois colégios.

Em 1846, aos quinze anos, ao ler a história dos mártires do Japão, entusiasmou-se e decidiu ser missionário. Um dos padres do colégio, Ângelo Vinco, voltando de uma Missão na África relatou a situação miserável daquelas populações. No dia 31 de dezembro de 1854, em Trento, Comboni foi ordenado padre.

Sem perda de tempo, preparou-se para a sua tarefa na África. Estudou inglês, francês, e árabe. A sua primeira viagem realizou-se em 1857. À época de partir, eclodiu na região de Verona uma epidemia de cólera. Na ocasião, entregou-se inteiramente ao serviço dos doentes, arriscando o contágio. Partiu e dedicou-se de corpo e alma aos africanos lutando com tudo o que podia contra a escravidão.

Em 14 de setembro, junto ao túmulo de São Pedro em Roma, recebeu uma grande inspiração. Como resultado, durante o Concílio Vaticano I, apresentou aos bispos o seu Plano pela Regeneração dos Africanos. Tinha compreendido que o brancos não aguentavam muito na África, e que os Africanos trazidos para a Europa se corrompiam com o conforto e não desejavam mais voltar a sua terra natal para ser evangelizadores. Iluminado, propôs “Salvar a África com a África”, ou seja, preparar sacerdotes e missionários africanos na própria África, mas em ambientes africanos, onde os brancos pudessem viver e os próprios africanos se mantivessem em sua terra.

Viajou muito, por todos os meios, de barco, de camelo, de navio, mas sempre com o coração voltado para os africanos, que queriam ser livres da escravidão, das doenças e da miséria. Fundou colégios, pediu a colaboração de mulheres e fundou a Congregação das Pias Madres da Nigritia.

Seguindo orientações do Cardeal Prefeito da Congregação do Vaticano responsável da Propagação da Fé, fundou em 1 de junho de 1867, o Instituto dos Filhos do Sagrado Coração de Jesus, que hoje tem o nome oficial de Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ).

Os membros desta instituição estão hoje nos cinco continentes, contando até hoje vinte e quatro mártires nos trabalhos de evangelização. Em 1877 foi nomeado bispo do extenso Vicariato que abrangia praticamente toda a África Central.

Comboni faleceu a 10 de outubro de 1881 em Cartum, no Sudão, vítima das terríveis febres que já tinham vitimado quase todos os seus companheiros. No leito de morte rogou aos presentes que nunca desistissem, nem que sobrasse apenas um único deles. A sua obra continua pelo mundo afora.

Canonização

Daniel Comboni foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 5 de outubro de 2003, porém, sua festa litúrgica é 10 de outubro. Foi canonizado devido a uma cura milagrosa a ele atribuída, ocorrido no município de São Mateus, no estado do Espírito Santo, no Brasil, na década de 1970.

A cura se deu em uma menina que se encontrava internada em um hospital do município. O médico, Doutor Carlos Cassiano, após uma cirurgia realizada no estômago da criança, já havia diagnosticado infecção generalizada e que nada mais poderia ser feito. Após uma noite inteira de orações a Daniel Comboni, a menina acordou curada.

Anos mais tarde, o médico foi ao Vaticano dar o seu testemunho científico da cura extraordinária. Seu depoimento foi muito importante para a Igreja Católica canonizar Daniel Comboni.

Irmãs Missionárias Cambonianas

A Congregação foi fundada oficialmente em 1872, pelo próprio São Daniel Comboni. O Instituto Irmãs Missionárias Combonianas Pias Madres de Nigrícia, era destinado exclusivamente às missões na África, evangelização, luta contra a escravidão, além de obras espirituais e auxílio material aos necessitados.

A congregação representa o segmento feminino da Congregação dos Missionários do Coração de Jesus, que havia obtido aprovação canônica cinco anos antes (1867), ambas, portanto,  exercendo funções correlatas, ou seja,  destinadas à animação missionária na Europa e África Central, no campo da evangelização, luta pela abolição da  escravatura e diversas obras materiais e espirituais.

As Irmãs Missionárias Combonianas foram uma importantíssima ferramenta apostólica criada por São Daniel Comboni para atuar especialmente em terras Africanas, cujo berço foi a cidade de Nigrízia, no coração da África, onde os Missionários Combonianos também já atuavam com brilhantismo apostólico.

Associação dos Leigos Missionários Cambonianos (ALMC)

O projeto surgiu em 1994, a partir da manifestação feita pelo Superior Geral dos Missionários Combonianos, em Roma, sobre a possibilidade de atuação missionária leiga, dentro do carisma e atuação comboniana.

Foram criadas, então, as Associações Leigas e, no Brasil, em 1995, após o encontro de missionários combonianos na cidade de São José dos Campos/SP, nascia no Brasil, com apoio da Revista Sem Fronteiras,  a comunidade de leigos missionários combonianos no Brasil.

Cambonianos no Brasil

No Brasil, os Missionários Combonianos chegaram em 1952.

As primeiras missões foram abertas no Maranhão (Balsas) e no Espírito Santo, onde realizaram inúmeras obras, construindo escolas, igrejas, e um grande seminário em Ibiraçu. Depois de 50 anos, os combonianos no Brasil são cerca de 130, atuando em 20 dioceses e organizados em dois grupos: um no Nordeste, com sede em São Luís, e outro no Sul, com sede em São Paulo. Durante trinta anos editaram no Brasil um importante periódico católico: a Revista Sem Fronteiras.

Para maiores informações sobre os Combonianos, acesse:

Missionários Combonianos

Missionários Combonianos no Brasil/Nordeste

Missionários Combonianos no Brasil/Sul

Irmãs Missionárias Cambonianas

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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2 respostas para Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ)

  1. Mónica Manarte disse:

    Obrigado pela informação me ajudaram muito no meu trabalho para a escola. 🙂

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