O Sangue Precioso de Jesus Cristo

Inicio minha reflexão reproduzindo as próprias declarações de Jesus, extraídas da belíssima pregação que fez na sinagoga de Cafarnaum, escrita no capítulo sexto do evangelho de São João (Cf. Jo 6, 14-69). “Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,53-56).

É importante destacar algumas afirmações de Jesus para descobrir o significado daquilo que Jesus “quis dizer”, e para perceber a gravidade de suas palavras.

1. Se não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Portanto, para se ter uma vida cristã autêntica, remida, salva, santificada e divinizada é preciso “beber o sangue de Jesus”.

2. Quem bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Nesta declaração, Jesus não poderia ter sido mais claro e determinante: beber o sangue garante a vida eterna e a ressurreição para a glória celeste.

3. Meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Trata-se de uma bebida mística, espiritual, que hidrata e sacia a sede da “vida cristã sobrenatural”, presente em nós.

4. Quem bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Beber do sangue de Jesus garante a permanência em seu amor, em sua salvação, em suas palavras, em sua amizade, em suas bênçãos.

Essas declarações de Jesus demonstram toda a importância, a necessidade e a seriedade de realizar a Santa Comunhão com o Seu Sangue precioso.

Beber o Sangue de Jesus?

Mas como se pode – hoje – beber o sangue de Jesus?

Para os corações católicos que conhecem o dogma da presença real de Jesus na Eucaristia, que nele crêem firmemente com o coração, não há problema de compreender “como e quando” se bebe o Sangue de Jesus. O dogma católico definido no Concílio Ecumênico de Trento diz: “No santíssimo sacramento da Eucaristia, estão contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente, o Corpo e o Sangue, em união com a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, o Cristo todo” (Can. 1, DS 1651, FC 745). “O Corpo está presente sob a espécie do pão, e o Sangue sob a espécie do vinho, em virtude das palavras (de Jesus, na ceia), mas o Corpo está sob a espécie do vinho, e o Sangue sob a espécie do pão, e a Alma sob ambas as espécies, em virtude dessa relação e dessa concomitância natural, pela qual, as partes do Cristo Senhor, que ‘ressuscitado dos mortos, não morre mais’ (Rm 6,9), estão liga­das entre si. Quanto à divindade, ela está presente por causa da sua admirável união hipostática com o Corpo e a Alma” (DS 1640, FC 838).

Aconselho o leitor a reler, parte por parte, e a procurar compreender toda a dimensão, a clareza e a beleza das verdades declaradas pelo Concílio, no texto acima citado.

Portanto, quando realizamos uma Comunhão Eucarística, ao recebermos a Hóstia Consagrada, estamos acolhendo e comungando Jesus todo: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Recebemos Jesus todo: vivo, ressuscitado, glorioso, como está no céu. E se a alguém, na Comunhão Eucarística, não lhe fosse dada a Hóstia, mas bebesse do cálice sagrado, estaria comungando igualmente Jesus todo: Corpo, Sangue, alma e divindade, vivo, ressuscitado e glorioso, como está no céu. Já não se pode beber o Sangue, excluindo-se o corpo, a alma e a divindade do Senhor.

O Sangue Precioso de Jesus

O valor preciosíssimo e divino do Sangue, bem como todo seu poder de lavar o pecado, de libertar das forças malignas espirituais, psicológicas, emocionais, físicas e até diabólicas, vem exatamente da realidade de “ser o Sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor da humanidade”. Se Jesus fosse apenas um ser humano comum – e não Deus – mesmo que tivesse passado por toda a sua paixão e morte de cruz, seu sangue não teria valor como o tem o  sangue de Jesus, e não teria poder algum sobre nada e sobre ninguém. Essa verdade precisa ser ressaltada, a fim de podermos valorizá-lo, adorá-lo, cultuá-lo, comungá-lo e invocá-lo de forma correta. “Dar o sangue” é uma expressão que equivale a “dar a vida”, “entregar-se até morrer”. O derramamento do Sangue de Jesus significa a entrega de sua vida, voluntariamente, por amor, até a morte de cruz.

A verdade de que o valor e o poder do Preciosíssimo Sangue vêm da Pessoa Divina de Jesus precisa ser sempre subentendida em todas as maravilhosas afirmações bíblicas e em todos os mais belos textos escritos sobre o Precioso Sangue.

Meditemos alguns textos:

Diz-nos São Pedro:  “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata  e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa maneira pecaminosa de viver, (…) mas pelo precioso sangue de Cristo” (1 Pe 1,18). Explico. Éramos todos escravos do pecado e do maligno. Jesus nos “comprou” para nos dar a liberdade. Mas o preço pago foi altíssimo: dar sua vida até a morte de cruz, com o derramamento de seu sangue.

Aos Efésios, São Paulo declara: “Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós, que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo Sangue de Cristo. (Ef 2,13). Explico. A entrega da vida de Jesus, com o consequente derramamento de seu sangue, foi a causa da reconciliação entre Deus e cada um de nós. Estávamos “longe, afastados, separados” de Deus. Jesus fez “as pazes” entre nós e Deus, pelo dom de sua vida, até o derramamento de seu Sangue.

Aos Hebreus, Paulo declara: “Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no santuário eterno, em virtude do sangue de Jesus,  pelo caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, o caminho de seu próprio corpo”.( Hb 10,19-20) Entendemos que, por termos sido resgatados pelo sangue de Jesus, nos é garantida a grande esperança de entrar na glória eterna.

Há ainda outros textos nos quais nos é revelado que somos perdoados, somos resgatados e salvos pelo sangue derramado de Jesus: “Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,9). “Nesse Filho, pelo seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1,7). “Quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?” (Hb 9,14).

Culto litúrgico e devocional do Sangue de Jesus

Por ser a expressão mais eloquente e tão comovente da entrega que Jesus fez de sua vida pela nossa salvação, passando por todos os passos da cruenta paixão e morte de cruz, o preciosíssimo Sangue de Jesus sempre mereceu e obteve um culto litúrgico, como também um culto devocional popular. São belíssimos os textos da “Santa Missa Votiva do Preciosíssimo Sangue de Cristo”, que encontramos no missal. Aprecio muito celebrá-la, e faço-o não poucas vezes, quando a liturgia me permite uma escolha. Tanto mais que o precioso Sangue sempre está sobre o altar, na Santa Missa.

Existem muitas orações devocionais, novenas, e até uma belíssima ladainha de adoração e glorificação do precioso Sangue. Para quem desenvolveu sua capacidade pessoal de realizar orações espontâneas de toda espécie, com certeza, inúmeras vezes, tem recorrido e invocado o poder e os méritos do precioso sangue do Salvador.

Padre Alírio José Pedrini, SCJ

Fonte: Com. Shalom

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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