Os leigos – Testemunhas de Cristo no mundo

Levar a Cruz aos quatro cantos... Eis a vocação primaz do fiel leigo!!!

“Recebereis uma força, a força do Espírito Santo que virá sobre vós; e sereis então minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até as extremidades da terra” (At 1, 8). Essas foram as últimas palavras pronunciadas por Jesus antes da sua Ascensão e são palavras dirigidas a um grupo de homens simples: não sábios aos olhos dos homens, não ricos, não influentes (Cfr. 1 Cor 1, 26). Porém pouco menos de três séculos depois, grande parte do mundo romano já era cristão: realmente a graça de Deus, o poder do Espírito agiu através daqueles que haviam recebido do próprio Senhor a missão de evangelizar e que empenharam suas vidas para cumprir a missão recebida.

Os leigos – isto é, os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, mas que são incorporados em Cristo pelo Batismo – participam a seu modo da missão sacerdotal, profética e real de Cristo e têm a peculiar vocação de, nas condições ordinárias da vida profissional, familiar e social, ser sal e luz no mundo. São chamados por Deus a colaborar com a santificação do mundo através do testemunho de vida, da sua fé, esperança e caridade (Cfr. Lumen Gentium, 31).

Dessa forma, a Igreja estará presente em todos os ambientes e situações da sociedade, e alcançará aqueles que estão mais distantes de Deus. A fecundidade da sua missão, porém, dependerá sempre da sua união vital com Cristo, porque Ele é a fonte e origem de todo o apostolado da Igreja (Cfr. Apostolicam Actuositatem, 4). A identidade do fiel leigo, portanto, pode ser definida somente em relação a Cristo e à Sua missão no mundo, em quem é inserida e a quem é continuamente enviada.

Evangelização

Para os primeiros cristãos, evangelizar era um imperativo que se tornava uma necessidade vital: “Para mim, anunciar o Evangelho não é motivo de orgulho, é uma necessidade que se me impõe: ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9, 16). Esta foi a ordem do Senhor: “Ide em todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

Na Última Ceia, durante a oração sacerdotal, Jesus dirigiu ao Pai as seguintes palavras: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu os envio ao mundo” (Jo 17, 18), e em Mt 28,19-20 Ele ordena: “Ide, pois; de todas as nações fazei discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar tudo o que vos ordenei. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos”. Tendo recebido dos Apóstolos este solene mandato de Cristo, de anunciar a verdade da salvação até os confins da terra, a Igreja prossegue incessante a sua obra de Evangelização (Cfr. Lumen Gentium, 17), e esta missão é confiada por Cristo a todos aqueles que constituem a Igreja, cada um segundo a própria condição (Cfr. Lumen Gentium, 30).

Verdadeiros cristãos

Durante a homilia da celebração conclusiva do Sínodo dos Bispos de 1897, João Paulo II afirmou que o fiel leigo é, antes de tudo, um verdadeiro cristão, porque foi sepultado em Cristo pelo Batismo, e que é membro de um povo, o povo da nova aliança. Portanto ele é chamado a viver em comunhão com os outros batizados, não podendo nunca fechar-se em si mesmo, isolando-se da comunidade eclesial, mas com os outros deve fazer frutificar o imenso tesouro recebido em herança (Cfr. João Paulo II, homilia durante a celebração conclusiva do sínodo dos bispos, 30.10.1987, em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1987/documents/hf_jp-ii_hom_19871030_conceleb-finale-sinodo_it.html).

Os cristãos da Igreja primitiva já eram conscientes da própria missão, e cumpriam seus deveres permanecendo no mundo, mas dele distinguindo-se pela sua pertença a Cristo. A esse respeito, escreveu Tertuliano: “Vivemos convosco, temos o mesmo alimento, as mesmas vestes, o mesmo tipo de vida que vós, estamos submetidos às mesmas necessidades da existência. (…) Frequentamos vosso fórum, vosso mercado, vossos banhos, vossas oficinas, vossas lojas, vossas hospedarias, vossas feiras e demais locais de comércio” (Tertuliano, Apologética, 37,39, escrito por volta do ano 200 d.C.).

Em outro escrito antigo podemos ler: “Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes (…) participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu (Carta a Diogneto, 5, ano 120 d.C.).

Missão dos fiéis

Olhando para o mundo atual, com seus valores e problemas, com suas ânsias e esperanças, com suas conquistas e fracassos, a Igreja afirma que este mundo é a vinha, é o campo no qual os fiéis leigos são chamados a viver a sua missão; é precisamente neste mundo que Jesus quer que eles sejam sal e luz (Cfr. Christifideles laici, 3).

Compete não somente à hierarquia da Igreja posicionar-se diante dos inúmeros desafios e questionamentos do nosso tempo, sobretudo aquelas relativas à família, à sexualidade, à educação dos filhos, ao fenômeno da globalização, da economia e da política, mas também os leigos são chamados, em força da sua missão própria, a dar ao mundo respostas adequadas.

Hoje como ontem, os fiéis leigos são chamados a testemunhar a todas as dimensões da sociedade e a todos os homens a beleza da fé, a radicalidade do Evangelho, a verdade que Cristo está vivo, ressuscitado e presente no mundo; que Ele é o único capaz de mudar o rumo da história da humanidade. Dessa forma, eles cumprem sua missão de ser sal e luz e este é o maior dom que poderão doar ao mundo.

 

por Josefa Alves, Missionária da Comunidade Católica Shalom
Comunidade Católica Shalom

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Sobre Alex C. Vasconcelos

Casado, 32 anos, pai de uma princesa, Advogado, Acólito na Paróquia do Divino Espírito Santo em Maceió/AL.
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